quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Sarau "Feito em Casa"

Origem

Nesses últimos dois anos, tive a oportunidade de conhecer muita coisa boa no meio cristão brasileiro em relação às artes, em especial ao segmento de música chamado de "MPB Cristã". Ao contrário do que pensava antes (já andava desiludido em relação à música na igreja), descobri que tem muita coisa boa sendo feita, e muita gente boa produzindo conteúdo de qualidade. Eventos como o "Nossa Música Brasileira", "Som do Céu" (apesar de ter quase 30 anos, não conhecia), programas como o "Papo e Arte", "Meia Hora com João Alexandre", "Plataforma", "Autorretrato da Música Brasileira", diversos compositores e interpretes (não vou citar nomes para não ser injusto com a quantidade de pessoas boas que têm surgido), pensadores e escritores, blogueiros, além de artistas ligados às artes visuais, teatro, circo, dança etc.

Claro que nesse cenário, nasceu a vontade em contribuir com o fortalecimento desse "avivamento cultural" que têm acontecido em parte da igreja brasileira. De certa forma, esse blog é parte desse desejo de contribuir com a produção de conteúdo relevante, mas ainda queria fazer mais... Um dos desejos que eu tinha, era abrir o espaço da minha casa para realizar alguns eventos e grupos de discussões. Em setembro desse ano (2012), inspirado pelas palestras do L'Abri Brasil, comecei um grupo de discussão sobre filosofia, arte, cultura, ciência e religião na minha casa, apelidado de "Colóquio", com o objetivo de conversar e entender como nos relacionamos com os diversos assuntos que lidamos no nosso dia a dia à partir de uma cosmovisão cristã. Como tarefa prática desse grupo, surgiu a oportunidade de realizar algo que queria fazer há algum tempo: um sarau.

Assim nasceu o sarau "Feito em Casa", que realizamos a primeira edição nesse último sábado (dia 24 de novembro). 

Proposta

A arte não precisa de justificativa. Não precisaria dar um porquê para nos reunirmos e apreciarmos boa arte; ela tem valor em si mesma. Mas com a criação desse sarau, quisemos retomar alguns valores que acreditamos. 

O primeiro é de que “Beleza”, “Verdade” e “Bondade” devem caminhar juntas, e serem experimentas e promovidas de forma única. Beleza não em um sentido puramente estético, mas em um sentido de promover uma ideia, um sentimento, um valor que está além da obra artística. Beleza em fornecer uma nova percepção da realidade, dando um novo significado às experiências ordinárias da vida e, através dessa nova percepção da verdade sobre o fato, promover o questionamento, o amadurecimento, o crescimento, a sabedoria de vida: a bondade.

Só é possível promover uma transformação cultural gerando artefatos culturais. Produzindo arte dentro do nosso alcance, influenciar as pessoas que nos rodeiam com “Beleza”, “Verdade” e “Bondade”. Acima de tudo, a intenção de fazer o Sarau foi promover esses 3 valores através da experiência artística em grupo.

Em segundo lugar, vivemos em tempos em que o sentido de vivência em comunidade tem se perdido. Em especial, na indústria do “Show Business”, a “arte” é produzida pelo viés mercadológico para oferecer um produto e nos satisfazer como indivíduo (sem diálogo comunitário). No passado, a arte era apreciada em casa. Amigos se reuniam para conversar, trocar ideias, e apreciar música, poesia, fazer declamações etc, sem qualquer pretensão comercial , mas pelo simples prazer de produzir arte e compartilhá-la. Procuramos retomar essa cultura, da arte “feita em casa”, entre família, amigos, sem pretensão ou preconceito, mas pelo simples prazer de dar asas à criatividade e produzir algo juntos.

A apresentação

Nessa primeira edição, tivemos participação dos seguintes artistas:



- Midian Maria: acompanhada por sua banda, a cantora Midian Maria (http://www.midianmaria.com.br/) mostrou algumas músicas do seu primeiro disco ("Não Há Nada"), lançado agora em outubro, além de covers de Jorge Camargo e Adhemar de Campos. 


- Marinho Oliveira: violonista erudito de Santos, apresentou alguns de seus arranjos e composições. O Marinho desenvolve um trabalho de ensino de violão, e têm produzido um bom material didático com partituras, apostilas, e vídeos em seu canal do youtube (http://www.youtube.com/user/marinhomarape).







- Laís Venâncio: Cantora e compositora, Laís apresentou músicas de seu primeiro CD ("O Abraço"), que será lançado oficialmente nesse próximo sábado (01/12), além de alguns covers, no formato violão e voz.








- Airô Barros: Multi-artista, Airô (http://www.airobarros.com.br/) cantou, recitou poesia e contou histórias, contagiando simpatia e alegria, características marcantes de sua personalidade.







- Luciano Vilela e Wagner de Morais Pimenta: Membros da banda "Candeeiro" (http://www.bandacandeeiro.com.br/), em uma jam  com a banda da cantora Midian Maria, mostraram algumas das composições da banda Candeeiro, recheadas de brasilidade.




- Victor Machado: Violonista e guitarrista, Victor (https://sites.google.com/site/victormscherrer/) mostrou duas composições suas, sendo uma parceria com o mestre Roberto Diamanso.








- Natália Osis: Fotógrafa e artista, Natália (http://fsentimentoepoesia.blogspot.com.br/) expôs algumas de suas fotos e trabalhos artísticos, além de ter dado um toque especial na decoração do ambiente.







Adicionar legenda
- Célia Bertolini: Entusiasta da cultura italiana e cozinheira de mão cheia, Célia deu um tempero especial ao sarau com comidas de origem italianas e trabalhos de enfeites feitos de comida.








Além das apresentações, O Sarau teve um espaço com livros de diversos tipos de artes, cidades culturais e museus, disponibilizando uma experiência experiência cultural mais completa para os momentos de pausa entre cada apresentação.

Para você que perdeu esse evento, algumas fotos do dia:





























Abraços,

Renan Alencar de Carvalho


*** Fotos de Priscila Vieira e Eliézer Venâncio, retiradas de seus perfis da rede social Facebook.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Em Busca de uma Teologia da Estética!

Fonte: Blog Fiel.



Em Busca de uma Teologia da Estética!

Pr Luiz Sayão


A fé cristã teve uma trajetória traumática com as manifestações artísticas. Desde o início do cristianismo a relação entre fé e arte sempre foi de suspeita. Por que será que isso aconteceu? De onde veio essa ruptura? Tem explicação?
Os judeus e os primeiros cristãos sempre contemplaram as manifestações artísticas dos pagãos e dificilmente dissociavam uma coisa da outra. A arte dos egípcios, babilônios, filisteus, gregos e romanos estava repleta de idolatria e de imoralidade. Não é difícil entender a repulsa de judeus e cristãos a tais manifestações.
Além disso, foi o próprio Deus que proibiu a confecção de imagens de escultura (Êx 20.4-5) como objeto de culto. O mandamento foi levado a sério pelos judeus. Não temos quase nada de esculturas hebraicas dos tempos bíblicos. No cristianismo primitivo a tendência prosseguiu. Todos sabem que a controvérsia das imagens foi um dos principais problemas da história da igreja. Até hoje católicos e protestantes têm linhas demarcadas em torno da questão.
Na área da música, as coisas também foram complicadas. O Novo Testamento fala pouco de música cantada na igreja. A igreja cristã sempre temeu que a música se tornasse um ídolo que prejudicasse a adoração genuína. O canto gregoriano tornou-se um estilo musical que evitava os desvios da alma. O problema persistiu na época da Reforma. O zelo por uma espiritualidade genuína e o medo da idolatria muito limitaram a expressão estética. Instrumentos musicais foram vistos com desconfiança. Os calvinistas mais radicais mostraram essa ruptura. Houve até mesmo uma destruição em massa de órgãos na Escócia. Graças à tradição luterana alemã, a música protestante teve força cultural e depois foi exportada para outros ambientes. O fato é que essa tradição de reticência com a arte teve efeito no evangelicalismo anglo-saxão e chegou também ao Brasil.
Em terras brasileiras a arte entre evangélicos teve outro agravante. Como era proibido construir templos no início da história protestante, nossos templos pareciam “caixotes da fé”, com pouquíssima referência estética. Além disso, por sua identidade anti-católica, símbolos como a cruz entre outros também foram abolidos. Em resumo, nossa herança estética é mínima. Por que tão grande divórcio?
Antes de iniciarmos qualquer preteritoclastia, é preciso observar que o problema da ruptura com a arte surgiu da leitura da própria Bíblia.
Quando lemos a gênese da arte nas Escrituras, ficamos assustados. Tudo começa com a família de Caim. A arte começa num ambiente anti-Deus, com características más como independência de Deus, imoralidade e violência. O toque final da estética de Caim aparece na figura da Cidade, resumo daquela civilização anti-Deus:
19 Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada e a outra, Zilá. 20 Ada deu à luz Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos. 21 O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. 22 Zilá também deu à luz um filho, Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro. Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá.23 Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou. (Gn 4.19-23 – NVI)
Mas a pergunta que devemos fazer é: será que o início da estética compromete plenamente sua manifestação? O problema está na arte ou no coração do homem? Deus criou tudo bom e bonito (cf. o hebraico: Gn 1.31). Na verdade, Deus é o Senhor de toda arte! Ele é o Deus da estética. Por isso, vejamos outros enfoques estéticos nas Escrituras. Em Êxodo 31.1-7 (NVI), há um texto bíblico surpreendente:
1 Disse então o Senhor a Moisés: 2 “Eu escolhi Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, 3e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística 4 para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze, 5 para talhar e esculpir pedras, para entalhar madeira e executar todo tipo de obra artesanal. 6 Além disso, designei Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, para auxiliá-lo. Também capacitei todos os artesãos para que executem tudo o que lhe ordenei: 7 a Tenda do Encontro, a arca da aliança e a tampa que está sobre ela, e todos os outros utensílios da tenda…
Como pode o Deus que proibiu “fazer imagens de escultura” ordenar a confecção artística do tabernáculo (Êxodo 25 a 40), o que incluía a imagem de dois querubins! E o texto ainda diz que a capacidade de criar e expressar o Belo veio do Espírito de Deus! Começa aqui uma história de redenção da arte. Deus condenava a idolatria, mas nunca foi seu objetivo destruir a própria arte.
Prosseguindo pela Bíblia, vamos encontrar arquitetura e estética espacial no templo de Salomão, música muito elaborada nos Salmos e em outras partes, muita poesia cuidadosamente trabalhada em grande parte de toda a Bíblia. Há inclusive uma espécie de encenação dramática nos profetas (Ezequiel). Deus é o Senhor de toda arte!
Mesmo que a motivação de muitos cristãos tenha sido sincera, muito da teologia da estética presente na Bíblia não foi percebido por eles. Por isso, herdamos um cristianismo de expressão tão sisuda, e às vezes melancólica, que tem dificuldades de dialogar com a estética e com a cultura nacional contemporânea.
A questão é muito séria porque a arte tornou-se fundamental para a sociedade contemporânea. É o principal meio de veiculação de conteúdo. O pensador Francis Schaeffer criticou a atitude de afastar-se da arte comum do evangelicalismo americano no início do século 20. Isso foi mortal para a igreja, pois a música e as artes cênicas tornaram-se monopólio do pensamento secular. O conservadorismo entregou as novas formas de expressão ao mundo não cristão, facilitando a formação de uma geração secular e pagã! Por isso, a igreja precisa redescobrir o valor e o poder da arte. Mesmo que seu início na história bíblica seja maculado e que seu transcurso histórico esteja muito marcado pelo pecado, na Bíblia Deus redime a arte, para a sua honra e sua glória. Hoje, é possível vermos criações artísticas que surgiram longe dos arraiais da fé, serem usados por Deus para o benefício do reino. O que era para o mal, tornou-se bem! Deus dá um nó no Mal!
A vitória de Deus é extraordinária. Vale observar que o Apocalipse termina a Bíblia cheio de arte e cheio de muita música. Até a Cidade, símbolo da arte e do progresso do mal, é transformada em bênção (Ap 21.1-4). Que Deus use cada Bezalel e Aoliabe de hoje. Nunca a relevância do artista cristão foi tão importante na história!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Por que a beleza importa?


Durante o "Nossa Música Brasileira" o Guilherme de Carvalho abordou de forma profunda e bíblica sobre a importância da beleza. Durante a palestra, ele citou o vídeo abaixo, que é uma reflexão em forma de documentário sobre a importância da beleza, e como ela está se perdendo no nosso mundo pós-moderno.



Mais do que nunca, precisamos de beleza... não no sentido puramente plástico e artificial, mas a beleza acompanhada de significado, de pureza, de verdade e de bondade. Beleza na maneira como guiamos nossas vidas, nossas relações, nos nossos valores, nossa sociedade....... beleza do reflexo de Cristo em nossas vidas.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Baixo e Voz ao Vivo - Apoie esse trabalho.


Com um trabalho que talvez seja único no Brasil (e quem sabe mais além), a dupla formada pelo casal Sérgio Pereira e Marivone Lobo se destaca pela formação pouco usual de "Baixo e Voz", nome da dupla, onde todo o acompanhamento rítmico-harmônico é feito pelo baixo, explorando uma função pouco comum ao instrumento, enquanto a melodia fica para a voz de Marivone.

Ao longo dos 4 discos que compõem seu trabalho ("Baixo e Voz", "Veleiro", "Cores" e "Viagens de Fé"), o repertório da dupla conta interpretações de grandes nomes da música cristã brasileira, hinos tradicionais, além de composições próprias, sempre em arranjos recheados de musicalidade e bom gosto.

No ano passado, 2011, a dupla completou 20 anos de carreira e, para comemorar a data, gravou o seu primeiro DVD: "Baixo e Voz ao Vivo", que está quase saindo do forno. Aproveitando o audio do DVD, a dupla resolveu lançar o trabalho também em CD, que já está com todo o trabalho de mixagem e arte pronto, aguardando apenas ser prensado. No entanto, como músicos independentes, todo o recurso para a produção dos discos partem deles mesmos, o que infelizmente é limitado.

Desse modo, à partir do dia 10 de setembro, a dupla iniciará um trabalho de arrecadação de fundos para poder mandar prensar as cópias dos discos e pagar os direitos autorais através da ferramenta "Mobilize", do Facebook. As pessoas que colaborarem com o disco terão direito à prêmios exclusivos, conforme a doação feita. 




Com toda certeza, o trabalho do "Baixo e Voz" merece ser visto, ouvido e compartilhado. Portanto, participe dessa campanha colaborativa e reserve o seu CD.

Eu recomendo!

Por hora, uma pequena amostra desse trabalho.






No amor de Cristo,

Renan Alencar de Carvalho

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O que falta é amor

Até aqui tenho tenho me mantido fiel aos temas de música, arte e adoração nos meus posts, mas gostaria de me utilizar do fato de ser um blog pessoal para abordar outros temas que tem incomodado o meu coração. Precisamos lembrar que somos pessoas por inteiro e, como cristãos, só poderemos experimentar uma comunhão e uma adoração verdadeira olhando para a vontade de Deus sobre todas as áreas de nossa vida.


Na verdade, tenho visto muita discussão sobre o tema de música e adoração... e muita discussão inútil. Hoje, acompanhando os comentários de um texto sobre um determinado nome da música cristã, vi comentários do tipo "Ele é um idiota que precisa se converter...",  "idiota é você que não entendeu o que ele disse...", além de pirações teológicas para para tentar explicar coisas que, no final, não fazem diferença.

Foi para isso que Cristo morreu? Para nos digladiarmos em discussões infrutíferas? Para sermos intolerantes aos que pensam diferentes? Para provarmos que nossa teologia é melhor que a dos outros? Para gastarmos tempo em tentar explicar o coração de Deus? Apesar de toda a teologia e de toda a revelação bíblica, Deus é incompreensível. É impossível para nós, pó, entendermos Deus em sua plenitude. Existem diversos mistérios que não nos foram revelados, e provavelmente não o serão. Por que então perder tanto tempo, e até nos agredir, discutindo algo que, em última instância, ninguém pode saber com certeza?

O engraçado é que se olharmos para a mensagem que Jesus pregou, ela é incrivelmente simples. Podemos resumir o ensinamento de Cristo em poucos pontos:


  • Ame à Deus sobre TODAS as coisas.
  • Ame ao próximo
  • Pratique o que é certo, bom e justo


No entanto, ao mesmo tempo que o ensino de Cristo é simples assim, me parece que é o que menos tem sido praticado dentro das igrejas. Temos sidos muito mais teóricos do que práticos sobre o evangelho. Comumente falhamos, em muito, em  aplicar a mensagem de Cristo em nossas vidas.

Dizem que quando o Andréas Segóvia, um dos maiores violonistas da história, quando indagado sobre o segredo se sua técnica, respondeu que nunca se afastou dos exercícios básicos. Creio que esse princípio também vale para nossa vida espiritual. Não podemos nos afastar dos ensinamentos e doutrinas mais básicas do cristianismo.


"O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei."
João 15:12 (N.V.I.)

Antes de querermos entrar em qualquer discussão teológica, antes de querermos falar a língua dos homens e dos anjos, antes de querer entender o coração de Deus: Amemo-nos.

Para quem me conheçe, e sabe que também sou mais teórico do que prático, não me interpretem como hipócrita ao escrever as palavras acima. Eu sei que também estou muito longe do que deveria, e antes de qualquer outra pessoa, essa crítica é para mim mesmo.

Que Deus nos ajude a seguir o Seu caminho e refletir a Sua luz... sempre!


Para fechar, uma música do mestre Stênio:


"Quisera eu falar as línguas das nações
E aos povos irmanar em puras intenções
Deve ser doce, enfim, a língua angelical
Clamar com os serafins o Nome sem igual
E se eu profetizar, mistérios desvendar
Saber qual a razão de estrelas na amplidão
Se eu não tiver amor, de nada valerá
Eu viverei só pra saber o que é viver em vão

Quisera fé maior pra que eu vencesse o mal
E ao Pai servir melhor, pureza mais real
Oferecer os bens a quem mais precisar
Ir longe, muito além, a vida entregar
E eu que nada sou, não tenho muito a dar
Mas se eu tiver amor na vida que eu levar
Eu saberei , então, que o pouco que eu fiz
Não foi em vão, valeu a pena sentir meu Deus feliz!"




No amor de Cristo,

Renan Alencar

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Credo para equipes de louvor

Hoje eu estava refletindo sobre a possibilidade de voltar a atuar em um grupo de louvor e adoração de uma igreja local, e os pensamentos e conceitos que tenho sobre o serviço musical no contexto congregacional, e que seriam relevantes, para mim, alinhar com o grupo antes de começar a atuar nele.

Isso ficou tão forte na minha cabeça que resolvi abstrair esses pensamentos e consolidar em uma espécie de "credo" pessoal referente à equipes de louvor. Espero que, compartilhando a minha visão, ajude a você formar a sua.


"Entendo que a adoração se dá quando temos a noção da grandeza de Deus (que excede nosso entendimento) e reconhecemos diante Dele que somos apenas meros pecadores, mas apesar disso disso, ele nos amou a ponto de se sacrificar no calvário para que pudessemos ter livre acesso a Ele. Diante disso, nós só podemos nos posicionar com toda o nosso entendimento, alma e espírito em gratidão e nos colocarmos à disposição desse Deus maravilhoso e amoroso, e fazer a Sua vontade em nossas vidas. Portanto, nossa adoração é formada pelo conjunto diário de atitudes que tomamos, ou seja, está mais ligada ao nosso estilo de vida do que ao momento de cânticos de domingo. A adoração congregacional é apenas um reflexo da nossa adoração pessoal e diária.

Entendo que o uso de músicas no culto congregacional é um serviço prestado à comunidade de fé. Isso se dá tanto na dimensão vertical da adoração, auxiliando as pessoas se posicionarem em louvor e gratidão à Deus através das letras e das músicas, quanto na dimensão horizontal, ensinando doutrinas e ajudando as pessoas memorizá-las, auxiliando na comunhão, na exortação, no consolo dos corações quebrados etc. Eu rejeito qualquer intenção de uso da música como uma forma de manipulação sentimentalista forçando uma falsa espiritualidade guiada apenas por emoções, mas sem entendimento do que está sendo cantado.

Sendo a música congregacional um serviço, entendo que a posição de qualquer membro da equipe de louvor deve ser a de servo, colocando as necessidades da comunidade de fé e de sua equipe à frente de suas próprias vontades, gostos e posições (desde que isso não contrarie o ensinamento e a teologia bíblica). Como servo, entendo que todos os membros de uma equipe de louvor devem trabalhar para o bem comum, ajudando em todas as tarefas, e investindo na vida das outras pessoas da equipe. Eu rejeito qualquer tentativa de exaltar, ou colocar os membros da equipe de louvor acima do resto da congregação, seja no título (levita) ou nas atitudes.

Entendo que as letras cantadas no contexto congregacional devem ser prioritariamente teocêntricas e refletir uma teologia saudável do ponto de vista bíblico, e da declaração de fé da comunidade local. Rejeito qualquer tentativa de colocar o homem e seus desejos e exigências à frente da vontade de Deus revelada em sua palavra. Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas.

Apesar da adoração não estar ligada à música em si, e sim ao coração de quem adora (em espírito e em verdade), entendo que em reposta a um Deus perfeito, o trabalho técnico/musical deve ser feito com a maior qualidade, excelência técnica e beleza estética possível. A capacidade intelectual e a criatividade foram dons de Deus dados aos homens para serem usados para o louvor de Sua glória. Menosprezar nossa capacidade técnica e criativa é menosprezar o trabalho que Deus delegou a nós.

Entendo que em Cristo, todas as coisas são reconciliadas com Deus. Isso significa que minha personalidade, minha cultura e meus gostos musicais são redimidos comigo. Portanto, entendo que não existe separação entre músicas, ritmos e instrumentos santos ou profanos. Todo tipo de música, ritmo e instrumento pode, e deve, ser usado para glorificar a Deus, independente de seu contexto de origem.

Entendo que, pela graça comum de Deus que se estende tanto para os que creem quanto para os que não creem no evangelho, mesmo um pecador não salvo pode produzir obras (artísticas) boas, com conteúdo espiritual relevante dentro de uma cosmovisão cristã e, portanto, podem ser apreciadas e até mesmo utilizadas dentro do contexto congregacional (com bom senso e maturidade). Ainda dentro desse contexto, entendo que a arte não precisa de justificativa, e toda e qualquer manifestação artística, em última estância, glorifica a Deus, pois só pôde ser feita por que Deus deu o dom da criatividade e da criação artística à humanidade. Desse modo, entendo que a manifestação artística, sem pretensão funcional ou congregacional, deve ser estimulada e apoiada dentro (e fora) da equipe de louvor.

Entendo que a manifestação de adoração através da música deve ser contextualizada à cultura e aos costumes da comunidade de fé local. Desse modo, a forma de expressão pode, e deve, mudar de acordo com as características da comunidade. Como brasileiro, entendo que minha adoração deve refletir e valorizar a cultura e a música brasileira. Eu rejeito qualquer forma de imposição de estilos ou filosofias de músicas de adoração estrangeiras que sejam colocadas como mais santas ou mais corretas que as manifestações brasileiras. A importação pode acontecer desde que seja feita de forma consciente e natural, incorporando-a à cultura local, mas nunca substituindo-a. Ainda dentro desse contexto, entendo que cada comunidade tem uma realidade e uma necessidade espiritual diferente. Desse modo, entendo que a composição de novas músicas dentro da comunidade local deve ser estimulada para atender a demanda espiritual específica dessa comunidade.

Entendo que o serviço dos músicos na comunidade local é um privilégio, que deve ser feito com amor e dedicação, visando o reino de Deus, e não como ganho. No entanto, havendo a possibilidade, sugiro fortemente que a liderança invista, inclusive financeiramente, na vida das pessoas que se dispõem a realizar esse trabalho, possibilitando dessa forma o seu crescimento e aperfeiçoamento como músicos e como cristãos. Sugiro que a comunidade considere manter pelo menos uma pessoa dedicada de forma integral , e portanto, paga, ao serviço musical, sendo essa pessoa responsável pela liderança, ensino e manutenção do grupo."


No amor de Cristo,

Renan Alencar de Carvalho

sábado, 11 de agosto de 2012

Eu Recomendo - Priscila Barreto

Sempre gostei de vocais femininos, especialmente na música brasileira, onde existem vários nomes representando nossa música, como Maria Rita, Ana Carolina, Adriana Calcanhoto, Maria Gadu, entre tantas outras que cantam e encantam com muita brasilidade. Mas é bem verdade que no cenário da MPB cristã, os nomes femininos estão em menor número, o que, para mim, faz muita falta.

Por outro lado, apesar da falta de nomes, por vezes temos a grata surpresa de nos depararmos com trabalhos recheados de beleza, sensibilidade e muita qualidade. Assim foi com o CD "Madalenas" da Priscila Barreto, que comprei recentemente.

Dona de uma voz doce e expressiva, Priscila Barreto traz um repertório sensível e intimista com a proposta de expressar o coração feminino, que como diz uma das músicas "é singular, é diferente, é da mulher". Mensagem que é atingida tanto pelas belas letras e composições, quanto pela sonoridade dos arranjos, feitos por ninguém menos que João Alexandre.

Gravado ao vivo no estúdio "Na Cena", o disco é composto por 13 músicas de diversos compositores, inclusive com nomes de fora do "meio cristão", como o grande músico Guinga. Apesar de não possuir, oficialmente, uma música tema, talvez a música "Coração de Mulher", composição de Gerson Borges, seja a música que melhor sintetize esse trabalho.

Com certeza, o disco é uma bela obra que merece ser ouvida com calma e atenção. Assim como em um bom vinho, existem "sabores" que não são descobertos no primeiro gole, e que precisam de atenção para serem apreciados. Eu recomento!

Por hora, uma pequena degustação...






segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A arte sob controle de Deus.


Durante aproximadamente 2 anos, eu e um amigo organizamos e realizamos um evento bimestral de música instrumental na Igreja Batista do Marapé chamado "Marapé & Cia em Acordes", buscando incentivar a produção artística da igreja local e trazer para o contexto da igreja pessoas que normalmente não iriam há um "culto normal".

Infelizmente o evento acabou há um bom tempo, mas os jovens da Igreja Batista da Ponta da Praia retomaram a idéia e montaram no último fim de semana de julho o "Ponta da Praia & Cia em Acordes", retomando a proposta de mostrar a música instrumental cristã. Para esse evento, tive o privilégio de trazer uma mensagem sobre "A arte sob o controle de Deus".

Segue abaixo uma adaptação da mensagem que compartilhei no dia.


A música e a arte na igreja têm sido, historicamente, um assunto em que existe muita confusão e pré-conceitos. Especialmente nos dias de hoje, onde essa confusão é potencializada pela existência da mídia e da indústria fonográfica, que transformam a arte em um produto comercializado.

Além de confuso, a arte cristã têm sido irrelevante para a formação intelectual e cultural de nossa sociedade, devido à falta de profundidade e de qualidade de nossas produções, de forma geral.

No livro "Viciados em Mediocridade", de Frank Schaeffer, a introdução começa parafraseando P.G.Wodehouse dizendo:

"Sempre que cristãos, evangélicos em particular, tentaram alcançar o mundo por meio da mídia - TV, Filmes, Propagandas etc (arte) - o público que pensa tem a idéia de que, assim como a sopa de um restaurante ruim, o cérebro dos cristãos ficaria melhor se não fosse mexido."

Apesar de duro, essa é a percepção de boa parte das pessoas não cristãs têm sobre nossa produção artística.

Boa parte dessa confusão e falta de conteúdo que observamos na produção de arte cristã se dá ao fato que não evoluímos nosso entendimento bíblico no mesmo compasso que evoluímos nosso entendimento nas demais áreas de nossa vida, levando-nos a uma visão distorcida sobre diversos pontos de nossa vida e, consequentemente, sobre a arte de um ponto de vista espiritual.

Infelizmente, boa parte das pessoas na igreja de hoje faz separação no seu entendimento sobre as áreas da sua vida e de seu entendimento de mundo entre "coisas espirituais e coisas materiais". Muitos entendem que Deus se manifesta nos momentos e nos assuntos espirituais de nossa vida, como orar, ler bíblia, estar no culto aos domingos etc, e que os assuntos como a economia, política, o convívio em sociedade, e também a cultura e a arte não têm relação com princípios espirituais, e não são regidos pelo entendimento bíblico.

Essa separação é fundamentada pelo pensamento "acadêmico" pós-moderno de que o estudo de "humanas", como a arte, a economia e a política, são subprodutos do razão humana. Nós que criamos a arte, a economia, a política etc e, portanto, não existem princípios espirituais sobre elas.

Pensando desse modo, vivemos no mesmo universo que o ateu e que o incrédulo. Vivemos em um mundo desencantado, como disse o pai da sociologia Max Weber. Francis Shaeffer descreve esse mundo como um mundo opaco, vazio e sem sentido. O pensamento pós-moderno tira qualquer significado espiritual sobre o que acontece no mundo a nosso redor, e o cristão, nos cultos de domingos, dá um salto cruzando a "linha do desespero", e vive então um momento transcendental de espiritualidade e de sentimentalismo, e após o culto volta para a realidade, que é vazia de significado espiritual,  seguindo a semana lidando com as áreas de sua vida "do mundo".

No entanto, esse entendimento não é o entendimento que a bíblia nos revela. A bíblia não faz separação entre áreas santas e profanas, e isso inclui a arte. Aliás, Passeando pelos textos bíblicos, descobrimos que Deus tem um interesse especial pela arte. Podemos ver isso desde a observação da natureza, até à construção do templo de Salomão, construído por instrução divina. Recomendo a leitura do livro "A Arte e a Bíblia", de Francis Scheaffer, para se aprofundar nesse assunto.

Um ponto central para entendermos a nossa arte e a nossa cultura sob o controle de Deus, é que elas foram redimidas juntamente com nossa vida em Cristo Jesus. Cristo é o centro de convergência de todas as áreas de nossa vida.

Observemos o texto de Colossenses, capítulo 1, versos 19 e 20:

"Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude,  (v.19)
e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão no céu, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz. (v.20)"

Gostaria de destacar duas palavras chaves nesse texto:

reconsiliasse: ἀποκαταλλάσσω (apokatallassō) - Totalmente Reconciliado
todas: πᾶς (pas) - tudo, inteiro, completo

Ou a salvação em Cristo Jesus é completa, ou não vale nada, ou Cristo nos salvou por inteiro, ou não salvou. Isso significa que quem eu sou, minha personalidade e minha cultura foram salvas comigo, e devem agora, a partir d'Ele, glorificá-lo. Não existem atividades mais ou menos santas, momentos mais ou menos espirituais, Todas as áreas de nossas vidas devem ser regidas por princípios espirituais e glorifica-lo. "Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém." (Romanos 11:36).

Isso quer dizer que para quem foi reconciliado com Deus por meio de Cristo Jesus não existe música cristã, ou música não cristã, arte santa, ou arte profona. Precisamos nos libertar da religiosidade ritualística, que prega apenas o "pode/não pode", o "politicamente correto" de um molde de "crente perfeito", que quer demonstrar santidade no exterior, mas tem o coração longe dos valores divinos. Devemos nos centrar nos valores divinos que devem reger nossa vida, e por consequência, nossa arte.

Portanto, uma arte que está "sob controle de Deus" não é aquela que apenas se comunica verticalmente com Deus, mas àquela que fala à partir de Deus sobre todas as coisas. A partir do momento que meu entendimento sobre o mundo é redimido em Cristo Jesus, eu preciso olhar para o mundo e enxergar que o mesmo Deus revelado na bíblia se revela nas coisas mais comuns e ordinárias de nossa vida, e fazer com que as demais pessoas consigam enxergar isso. 

Cristo fez isso. ("olhai os lírios dos campos...", "olhai as aves do céu..."). A glória e a graça de Deus já estavam reveladas no mundo antes da obra justificatória de Cristo, mas o homem, por seu pecado, teve sua visão "escurecida" e não enxergou isso.

"Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.
A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. " (Salmos 19:1-4)

"Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.
Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;
Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu." (Romanos 1:19-21)

Nós, artistas, precisamos ensinar às pessoas a enxergarem Deus nos pontos mais comuns de nosso cotidiano, e mostrar os princípios divinos por traz de cada ponto de nossa vida. Precisamos cantar e tocar sobre a natureza, sobre a política, sobre a economia, sobre a ciência, sobre os relacionamentos, sobre a sociedade, enfim, sobre todas as coisas, mostrando a verdade bíblica que rege esses pontos. Não é preciso cantar  "Jesus, Cruz e Luz" para fazer uma música cristã, mas demonstrar que "beleza, bondade e verdade" caminham juntos, e que existe verdade no que representamos com beleza.

No campo da música cantada, existem pessoas que estão fazendo isso, como Gladir Cabral, Tiago Vianna, Crombie, Arlindo Lima, Jorge Camargo (no CD "Tudo que é bonito de se viver") etc, mas precisamos de mais pessoas em todos os campos da arte. No caso da música instrumental, J.S.Bach disse que "É na combinação de unidade-diversidade, e no enriquecimento dessa combinação que você responde à ordem do mundo". Talvez essa seja uma dica de um caminho para expressar nossa cosmovisão cristã através da música instrumental.

Para concluir, gostaria de reforçar a ideia que a nossa arte não precisa ser expressamente funcional e eclesiástica, mas se ela está sob o controle de Deus, ela precisa refletir os valores de Cristo, e fazer com que as pessoas enxerguem esses valores nas coisas mais comuns de sua vida.

Fontes e recomendações de leitura:

Livros

- "A Arte Não Precisa de Justuficativa" (H. R. Rookmaaker) - Editora Ultimato
- "A Arte E A Bíblia" (Francis Sheaffer) - Editora Ultimato
- "Viciados Em Mediocridade" (Frank Scheaffer) - Editora W4
- "Cristianismo Criativo?" (Steve Turner) - Editora W4
- "Vida e Música" (Org. por Thatiane Pellissier) - Editora Descoberta

Vídeos:

"Por que valorizar o Musico Cristão Brasileiro de Qualidade? por Guilherme de Carvalho - parte 1"
http://www.youtube.com/watch?v=bL6lal02-rE&feature=plcp

"Por que valorizar o Musico Cristão Brasileiro de Qualidade? por Guilherme de Carvalho - parte 2"
http://www.youtube.com/watch?v=Snu_JLYiiLM&feature=plcp

"A Música Cristã Em Um Mundo Desencantado" (Guilherme de Carvalho) - gravado em DVD no "Nossa Música Brasileira" em 2011.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Kevin DeYoung - Dez Princípios Para a Música na Igreja

Retirado de blog Cante as Escrituras.

Quando se trata dos cânticos de Domingo, as igrejas têm mais opções do que jamais tiveram. Do hinário, passando pela Hillsong, até as composições locais, pastores e líderes de louvor têm milhares de músicas para escolher. Um bom problema para se ter.
Mas ainda é um problema. Nenhum líder de música pode evitar. Nenhuma igreja pode cantar todos os ótimos hinos e todas as mais novas e melhores canções das rádios. Nenhum músico consegue ser excelente em todos os estilos musicais que existem. Nenhum líder pode agradar todas as pessoas o tempo todo.
A proliferação de opções com freqüência leva a um conflito. Devemos cantar hinos (Wesley, Watts or Fanny Crosby?) ou contemporâneos (música popular dos anos 70, música evangelical contemporânea ou punk rock?). Nossa música deve ter um pouco do ritmo latino ouç do sentimento Afro americano? Devemos usar cânticos, música de coral, salmos, jazz, country ou bluegrass?
Há outras questões também. Que tipo de instrumentos devemos usar? Quanto do contexto cultural deve ser levado em conta? Há apenas um tipo certo de música para cantar? Se não, há maneiras erradas?
Eu não posso responder todas essas perguntas. Mas há alguns princípios gerais que podemos usar para tomar decisões sábias sobre a música de nossa igreja. Deixe-me sugerir alguns princípios para a música congregacional.
Há coisas mais importantes que o tipo de música que cantamos. A música não deve ser a cola que nos mantém unidos – a cruz, a glória de Jesus Cristo, a majestade de Deus e o amor é que devem ser. Mas mesmo igrejas centradas no evangelho têm discordâncias sobre música. Então o amor é indispensável quando cantamos e quando tentamos discernir o que é melhor cantar.
João Calvino:
Mas, porque na disciplina exterior e nas cerimônias não quis ele prescrever minuciosamente o que devamos seguir (porque isto previne depender da condição dos tempos, nem julgaria convir a todos os séculos uma forma única), impõe-se aqui acolher as regras gerais que deu de modo que, em conformidade com essas regras, sejam aferidas todas as coisas que, para a ordem e o decoro, a necessidade da Igreja muito requer que sejam preceituadas. Enfim, porque Deus nada ensinou expresso nesta área, porquanto essas coisas não são necessárias à salvação e devem acomodar-se variadamente para a edificação da Igreja, segundo os costumes de cada povo e do tempo, convirá, conforme o proveito da Igreja o requerer, tanto mudar e revogar ordenanças comuns, quanto instituir novas. De fato reconheço que se deve recorrer à inovação não inconsiderada, nem seguidamente, nem por causas triviais. O que, porém, prejudica ou edifica, melhor o julgará a caridade, a qual se permitirmos seja a moderatriz, tudo estará a salvo. (Inst. 4.10.30)
Antes de sermos rápidos em julgar as músicas ruins de que outros Cristãos gostam, lembremos do relato de C.S. Lewis. Preste atenção em um dos mais famosos convertidos aos Cristianismo do século falando sobre sua primeira impressão da música da igreja:
Não gostei muito dos hinos deles, que considerei poema de quinta categoria em música de sexta. Mas com o tempo, vi seu grande mérito. Eu fui confrontado com pessoas de visões e educações diferentes, e gradualmente meu conceito começou a se desfazer. Eu percebi que os hinos (que eram apenas música de sexta categoria) estavam, no entanto, sendo cantados com devoção e benevolência por um santo idoso calçado em botas simples no banco oposto, então você compreende que não é digno de limpar essas botas. Isso faz você se libertar dessa presunção. (God in Dock, 62)
Imagino que o Apóstolo Paulo, se estivesse escrevendo à igreja de hoje, talvez tivesse algo a dizer sobre o estilo de louvor. “Se eu cantar no estilo musical mais da moda, mas não tiver amor, estarei apenas tocando bateria e dedilhando uma guitarra. Se eu tiver o dom de interpretar música e apreciar os mais ricos hinos, mas não tiver amor, nada serei. Se eu tenho perspicácia para excelente música e poesia fina, mas não tiver amor, de nada tenho proveito”. O primeiro princípio para cantar como uma congregação e escolher músicas para a congregação é o amor.
Deus é o único que devemos querer impressionar, o único a quem mais devemos querer honrar. Nosso primeiro objetivo não deve ser conquistar a cultura ou apelar para o não regenerado. Adoração é para o Único Digno.
Seguir rigorosamente essa prioridade é o objetivo da edificação. As músicas cantadas no domingo de manhã devem ser benéfica ao povo de Deus. Essa é uma aplicação fiel das preocupações de Paulo em 1 Coríntios 14. Também faz parte ensinar e admoestar uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais (Col. 3:16). Nunca devemos colocar a música apenas como uma divertida introdução ao sermão. Antes de aplicar música secular como música de fundo no prelúdio, reflita se uma canção vagamente espiritual do U2 realmente edificará o corpo de Cristo.
Cânticos congregacionais fazem parte do ensino ministerial da igreja. Músicos e pastores de igreja devem perguntar a si mesmos: se nosso povo aprendeu teologia por meio de nossas músicas, o que vão saber daqui a 20 anos sobre Deus, a cruz, a ressurreição, os obras de Cristo, o Espírito Santo, a Trindade, criação, justificação, eleição, regeneração, a igreja, os sacramentos e todas as outras doutrinas fundamentais da fé?
É uma ordem? Uma ordem que não cumprimos ainda? Há ainda novas músicas a serem cantadas a Deus. E se a Igreja tivesse parado de cantar cânticos novos no século XV? Não teríamos “Castelo Forte”. E se os cristãos tivessem parado no século XVI? Sem Charles Wesley. Nem Isaac Watts. E se a Igreja tivesse parado uma geração atrás? Ninguém cantaria “In Christ Alone” no domingo. Uma pena.
A metáfora é proposital. Devemos nadar no grande oceano da música de igreja, um oceano que está continuamente recebendo novos fluxos. Eu não estou defendendo uma porcentagem definida de velho Vs. novo – toda igreja parecerá um pouco diferente, mas sugiro que devemos entender a nós mesmo como parte desse oceano profundo da música cristã.
Para mim, é chocante que uma igreja conscientemente (ou inconscientemente, se for o caso) fuja completamente do oceano dos hinos históricos e entre em na piscina rasa de música exclusivamente contemporânea. Não estou dizendo que músicas mais novas são inferiores às mais velhas (veja o ponto anterior). O que estou dizendo é que é uma expressão de extrema arrogância e insensatez pensar que não temos nada a ganhar das velhas canções e nada a perder quando desprezamos músicas cristãs que foram cantadas por milhares de anos.
Pense que no que você ganha com um hinário (seja um hinário de fato ou o conteúdo do hinário na projeção):
Uma ligação com a história. Nosso povo, sem mencionar o mundo, precisa saber que o Cristianismo não é uma invenção inédita. Cantamos juntos com dois milênios de crentes.
Diversidade. Garanto que aquelas igrejas que cantam hinos estão sendo expostas a uma variedade mais vasta de músicas cristãs que aquelas que são exclusivamente contemporâneas. O hinário tem 20 séculos de estilos: cânticos, canções populares e étnicas, cantigas, salmos, baladas galesas, melodias britânicas, hinos alemães, música gospel (negra ou branca) e dúzias de outros estilos musicais.
Excelência. Sim, há alguns verdadeiras sucatas na maioria dos hinários. Mas no geral, as músicas ruins foram descartadas. Se estamos ainda cantando uma música 500 anos depois, ela provavelmente tem uma letra forte, boa poesia e uma tonalidade cantável
Todos os conselhos de Deus. Hinos dão a você um amplo leque de temas e categorias bíblicas. A música contemporânea está melhorando esse quesito, mas o hinário é ainda o melhor lugar para encontrar uma música de adoração e exaltação a Cristo ou uma canção de iluminação ou uma lamentação ou um hino de comunhão. Parabéns a Keith e Kristyn Getty e Sovereign Grace por tentar preencher esse tipo de lacuna.
Não estou convencido pelos argumentos em favor da salmodia exclusiva. Mas em 95% das igrejas o problema não é que estamos mantendo distância dos bons “não-Salmos”. É estranho, embora nos seja ordenado que cantemos os Salmos e embora salmos tenham sido o centro dos cânticos nas Igrejas durante séculos, ainda ignoramos um trecho imenso no meio de nossas Bíblias (emprestando uma frase de Terry Johnson). Em uma observação mais alegre, fico feliz por estarmos começando a ver alguns músicos contemporâneos voltando atenção aos salmos.
Não estou, nem de perto, sugerindo elitismo. Uma melodia tem de ser relativamente simples para que centenas ou milhares de pessoas cantem ao mesmo tempo. Mas podemos ainda persistir em não nos distrairmos pela falta de excelência (para usar a frase de John Piper). Queremos que a cruz seja a pedra de tropeço, não nossa musicalidade pobre ou o Power Point cheio de erros.
Enquanto acredito que uma grande variedade de estilos pode ser usada na adoração, não sou um relativista musical. Algumas músicas são melhores que outras. Alguns estilos funcionam melhor que outros. E quando se trata de letra, evitamos deslizes óbvios como usar tu e você na mesma música ou acumular clichês banais. Ouvi uma canção no rádio há algumas semanas cujo refrão tinha algo sobre uma rosa perfumada no início da primavera e uma águia voando alto a estender suas asas. Se sua igreja canta isso no domingo, ame seu líder de louvor do mesmo jeito. Mas se você é o líder de louvor escolhendo essa música, tente algo com um pouco mais de arte, algo que não soe como vindo de uma página aleatória do seu calendário inspirativo de bolso.
Algumas músicas são simplesmente profundas e algumas são profundamente simples, mas há uma forma de fazer ambos bem. Com tantas músicas a escolher, não há razão para as igrejas não fazerem um esforço para cantar músicas com algum senso de poesia e integridade musical. O refrão de Aleluia é repetitivo, mas é musicalmente interessante. A maioria das canções, refrões e versos não são suficientes para serem repetidos por tanto tempo.
Todos são responsáveis por cantar. A jovem com suas mãos erguidas e o idoso cantando o baixo. O que as pessoas querem ver na sua adoração é aquilo que você quer dizer. E não importa quão relaxada ou reverente sua adoração é, se ninguém está cantando, é ruim.
É cantável? Preste atenção na extensão (muito alta ou muito baixa) e esteja ciente da síncope e das irregularidades na métrica e no ritmo. Certifique-se que a melodia é intuitiva, principalmente se você não tem a partitura para olhar ou se as pessoas não sabem lê-la. Quando seu violão dedilha entre sol, dó e ré, há muitas notas a serem escolhidas nesses tons.
O instrumental está ajudando ou inibindo a congregação de cantar? Isso significa checar o volume. A música está muito suave para sustentar as vozes? Está tão alto que as abafa? Um erro das equipes de música é pensar que todos os instrumentos devem ser usados em todas as músicas. Algumas músicas devem ter um instrumental completo, mas só porque você tem bateria, piano, guitarra, baixo, lira, cítara, flauta, chocalho, banjo, violoncelo e atabaque, não quer dizer que você tem que usar todos eles o tempo todo.
É uma canção familiar? As pessoas têm dificuldade com uma música nova toda semana, quanto mais duas ou três. Mantenha seu som e suas canções básicas e parta daí. De vez em quando, você pode ter que admitir “Essa é uma ótima música, mas não acho que podemos tocá-la bem”.
Toda igreja terá um núcleo musical. Você não deve reinventá-lo toda semana. Mas você também não deve ser escravo disso. Precisamos ser forçados de vez em quando, não apenas com uma música nova, mas com um novo tipo de música – algo da igreja afro-americana ou algo da África ou América Latina. É bom ser lembrado que pertencemos a uma igreja antiga e global.
A música deve sustentar o tema da canção. Letras diferentes têm climas diferentes. A letra de “Castelo Forte” não funcionariam bem na melodia de “Children of the Heavenly Father”. A alegre canção “Do Lord” não consegue capturar o sentimento das palavras finais do ladrão à beira da morte. Por outro lado, é difícil não amar a música de Keith e Kristyn Getty “See What a Morning”, em que a música triunfante e de celebração combina perfeitamente com a letra sobre a ressurreição.
O estilo musical não é neutro, mas é flexível. A música transmite algo. Algumas melodias são doces demais ou demasiado estridentes ou muito românticas. Sempre achei que “Este é meu respirar” soava sensual demais. E também não estou muito certo sobre o que essa música quer dizer. Mas estilos não são categorias rígidas. Não há uma linha definida entre contemporâneo e tradicional, clássico e popular ou alta e baixa culturas. Não temos que fazer regras absolutas sobre estilo musical, mas precisamos ser inteligentes.
Deixe-me dar uma palavra sobre órgãos. Nenhuma igreja deve lutar por eles até a morte. Mas se a sua igreja já tem um órgão, meu conselho é que continue usando. Órgãos eram originalmente associados ao paganismo. Então não há nada inerentemente espiritual nele. Quando foram introduzidos na igreja, os cristãos sabiam tanto sobre órgãos quanto os adolescente de hoje sabem. Eles foram introduzidos na adoração por causa da capacidade desse instrumento. Como Harold Best argumenta no seu fantástico livro Unceasing Worship (Louvor incessante), não há no Ocidente instrumento mais adequado para sustentar o canto congregacional (p.73). O órgão preenche os vazios, proporciona um som grave e encoraja a igreja a cantar mais alto e mais livre. Se você não tem um órgão, pode ser caro adquirir um. Não vamos estabelecer uma regra. Mas se o órgão é uma opção pra você, não a descarte.
Devemos começar perguntando sobre todas as nossas músicas: isso é verdadeiro? Não apenas verdadeiro, mas em conformidade com o texto bíblico. Por exemplo, eu gosto da música “Consuming Fire” do Third Day, mas a letra, embora verdadeira, faz mal uso do texto bíblico. De acordo com a música, Deus é o fogo que consume porque ele entra e derrete os nossos frios corações de pedra. Isso é verdade, mas o texto de Hebreus é sobre Deus, nosso juiz.
Semelhantemente, nossas músicas devem ser explicitamente verdadeiras. Isso é, não devemos ter que forçar uma interpretação para a letra ficar ok. Não queremos cantar músicas que nos levem a pensar “o que isso quer dizer exatamente?”
Por outro lado, não seja muito duro com canções do tipo “eu”. Cerca de 100 dos 150 salmos têm a palavra “eu”. “Eu” não é o problema. O problema é com as músicas que são coloquiais demais ou usam o “eu” impensadamente (“eu só quero te louvar” – bem, então louve), ou nunca passam de como estou me sentindo em relação a Deus para quem Deus é e o que Ele fez para que eu me sinta desta forma.
Em todas as nossas músicas queremos ensinar as pessoas sobre Deus. Se não estamos aprendendo boa teologia e verdade bíblica com nossas músicas, então não temos cuidado com nossas músicas ou não ligamos muito para as verdades bíblicas, ou ambos.
Fonte: iPródigo

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Bob Kauflin - Falar ou Não Falar? Eis a Questão

Retirado de blog Cante as Escrituras

Nos meus primeiros anos liderando o louvor e adoração no culto, eu pensei que tinha que compartilhar um mini-ensino ou uma oração sincera entre cada canção. Não tenho certeza porque eu pensei isso. Mas quando o meu pastor, finalmente, chamou minha atenção é que eu percebi o quanto era chato.
Muitos líderes de louvor com quem converso passam por lutas tentando saber quando e o que dizer durante a ministração no período de louvor.
Aqui estão quatro pensamentos que me ajudaram ao longo dos anos:
1. Conheça o seu objetivo.
Adorando a Deus com música significa mais do que ter uma experiência musical. Podemos fazer isso em um concerto ou com o nosso iPod. Mas o objetivo de um líder de adoração é ampliar a grandeza de Deus nos corações, mentes e vontades. A pessoa e a obra expiatória de Jesus Cristo deve tornar-se maior em nossos olhos e mais relevantes para nossas vidas.
Isso significa que eu devo fazer o que puder para garantir que as pessoas estão cantando com suas mentes, bem como seus espíritos (1 Coríntios. 14:15). Eu quero ajudá-los a se envolver com as verdades que estão cantando. Isso leva às palavras. Palavras faladas.
Após a primeira ou a segunda canção, eu vou levar cerca de 1-2 minutos para biblicamente, pessoalmente, e claramente ajudar as pessoas a compreender porque estamos prestes a cantar a canção seguinte. Eu vou puxar, geralmente a partir de um certo número de fontes possíveis: um ponto da mensagem da semana passada, o foco de uma série de ensino que estamos atualmente em uma nova canção… introduzir as razões para cantar louvores a Deus, ou mesmo um evento de interesse mundial (a tragédia no Haiti, por exemplo). Meu objetivo é conectar um aspecto do que Deus fez por nós em Cristo, com que as pessoas estão vivendo. E o que eu digo, eu quero ter certeza de que é baseado sobre a verdade imutável da Palavra de Deus, não apenas a minha opinião ou sentimentos.
2. Conheça o seu contexto.
Levando em conta que eu estou ministrando o louvor isso me ajuda a saber o que dizer. Costumo falar mais em um grupo menor, onde eu possa observar as pessoas mais facilmente. Em uma situação onde as pessoas não são muito expressivas, eu vou ter tempo para explicar como nosso corpo pode glorificar a Deus. Se as pessoas estão familiarizadas com as canções e os outros, posso dizer menos.
3. Conheça os seus limites.
Alguns líderes de louvor não se comunicam de forma eficaz. Outros simplesmente não têm o dom. Seja qual for sua situação, não assuma que você é a única pessoa que tem o que falar. Não há mandamento bíblico que diz que a pessoa que lidera o louvor tem que ser aquele que fala entre as músicas. Procurem o conselho de seu pastor em o quanto você deve dizer ou não dizer. Confie em mim. Ele provavelmente está esperando você para pedir conselho.
4. Varie o que você faz.
Por anos, eu trabalhei duro para desenvolver uma “exortação” que eu iria partilhar em algum ponto entre as músicas. Assim como eu pensei que estava ficando bom nisso, meu pastor sugeriu que não fizesse a mesma coisa todos os domingos. Eu não podia depender de minha rotina mais. Eu realmente tive que ouvir a liderança do Espírito.
Seguindo exatamente o mesmo formato todas as semanas, pode levar uma congregação a uma adoração sem vida e estereotipada. Mesmo que chamem de “carismático”, tente ler uma porção das Escrituras, orando como igreja, dando oportunidade para alguém dar um testemunho, ou permitir que alguém fale sobre uma canção.
Um Pensamento Final
Alguns músicos vão servir melhor a Igreja por não dizer nada. Mas não pense que você é um deles. Porque os líderes de adoração amam a glória do Salvador, nós queremos usar o que temos – música e palavras – para comunicar o quão grande Jesus Cristo realmente é.
A minha boca falará o louvor do Senhor, e toda a carne louvará o seu santo nome para sempre e sempre. (Salmos 145:21)