Blog pessoal de Renan Alencar de Carvalho. Um espaço aberto sobre música, arte, e reflexões sobre louvor e adoração àquele que nos criou, e nos deu a maravilhosa capacidade de nos expressar!
segunda-feira, 25 de junho de 2012
PAPO E ARTE sobre o Violão com Diego Venancio, Selma e Renan Alencar
Um vídeo muito bacana sobre o violão erudito e os seus concertistas. Uma aula com o Diego Venâncio.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Conteúdo Além da Forma - Cordel Ecológico-Apocalíptico
Cordel Ecológico-Apocalíptico de Roberto Diamanso
terça-feira, 29 de maio de 2012
Luiz Saião - Louvor com Sobriedade
Fonte: Cante as Escrituras
“Não é possível que se possa louvar a Deus com entendimento usando composições pobres e
vazias de conteúdo
– isso, quando as letras não contêm erros teológicos e até heresias.”
vazias de conteúdo
Vivemos na era da música digital. E os muitos sons nos fazem delirar. Foi muita mudança tecnológica, rítmica e cultural que revolucionou o cenário evangélico na área de louvor e adoração. Diante do novo contexto, as opiniões se dividem. O louvor contemporâneo é melhor do que o antigo dos hinários? As mudanças foram para bem ou para mal? Durante décadas, as igrejas tradicionais – presbiterianas, batistas, metodistas – usaram quase que exclusivamente os hinários, com suas composições centenárias. Com o tempo, os clássicos do cancioneiro protestante foram sendo deixados de lado em benefício de cânticos chamados modernos. Mas por que tantos belos hinos caíram em desuso?
Algumas das principais razões podem ser aqui mencionadas e enumeradas. Em primeiro lugar, as composições tradicionais eram, em sua maioria, estrangeiras – alemãs, inglesas, americanas. Com o tempo, aqueles ritmos e melodias foram causando estranheza aos ouvidos brasileiros, acostumados a estilos musicais mais populares. Além disso, hinos célebres como “Óh quão cego andei” e “Vencendo vem Jesus” eram maciçamente executados, gerando certo cansaço. As novas gerações não conseguiram adaptar-se às canções mais antigas e buscaram novas formas de expressão musical. Isso sem falar em versos de difícil compreensão para os jovens. Um desses hinos, por exemplo, dizia em sua primeira estrofe: “Numa orgia nefanda, o rebelde Belsazar (…)”.
A grande revolução litúrgica que pegou desprevenidos os grupos tradicionais e pentecostais clássicos no Brasil teve lugar a partir da década de 1950. A chegada da Igreja Quadrangular e o surgimento de denominações como O Brasil para Cristo, a Igreja de Nova Vida e a Deus é Amor mudaram o perfil evangélico nacional. Foi por meio da nova onda carismática que o cenário mudou. E uma das transformações mais notáveis foi justamente o rompimento com a tradição musical protestante. Surgiram hinetos mais simples e curtos, repetitivos, acompanhados de palmas e instrumentos antes considerados “profanos”, como guitarra, bateria e órgão elétrico. A parte do culto dedicada ao louvor musical deixou de ser marcada pela reflexão e assumiu um caráter mais corporal e efusivo. E estas canções traziam como novidade os ritmos genuinamente nacionais, como samba e marchinha. Afinal, as novas igrejas eram autenticamente brasileiras – logo, não tinham necessidade de honrar uma tradição estrangeira.
Mas o que dizer dessa nova realidade? Os mais tradicionais, claro, afirmam que a qualidade musical diminuiu (o que é fato) e que o repertório evangélico moderno não é próprio para um culto verdadeiro. No entanto, é preciso ressaltar aspectos positivos da nova tendência. Um deles é a alegria comemorativa. Enquanto os tradicionais cantavam “Bendita a hora de oração” de olhos bem fechados, em contrição, os novos grupos começaram a fazer a festa do louvor, pulando, movendo braços e pernas e até dançando. Tudo com muito apelo para o contexto que a fé cristã assumiu em território brasileiro. A adoração meditativa cedeu lugar a uma adoração contemplativa. Em vez de enfatizar os feitos de Deus ou elementos teológicos importantes, ressalta-se muito a transcendência divina, que o fiel é estimulado a buscar e a sentir.
Uma particularidade dos novos cânticos é a forte ênfase no Antigo Testamento, enfatizando uma idealização de Israel. Querendo expressar uma fé mais concreta, os novos grupos encontraram ali fonte de inspiração, muitas vezes sem qualquer transposição cristã. Além disso, especialmente sob a influência da escatologia pré-milenista, tomou-se o povo de Israel como modelo – e o resultado é uma apropriação de temas e elementos tipicamente judaicos, como o uso de símbolos rituais como o candelabro, o shofar e vários outros.
No entanto, o novo cenário litúrgico também mostrou diversas fragilidades e problemas. Desde os dias do louvor ao som do iê-iê-iê dos anos 1960 até a chamada adoração profética, muitos problemas apareceram no contexto da Igreja contemporânea. Um deles é a introdução de heresias. Como são compostos por gente sem boa formação teológica, muitos cânticos afirmam verdadeiras tolices, como “Eu navegarei no oceano do Espírito”, ou “Casa de Deus, onde flui o amor”, etc. Infelizmente, muitas igrejas cantam diversos cânticos apenas porque gostam da melodia, sem observar se a letra tem ou não o mínimo fundamento bíblico e teológico.
Ainda que não seja o caso de todos, há cânticos que não chegam a dizer nenhuma heresia – simplesmente, porque não têm nada a dizer!
São peças que trazem frases simplistas, quase sem nenhum conteúdo. Essas músicas geralmente possuem bastante ritmo e algumas poucas frases, que são repetidas continuamente.
Não é possível que se possa louvar a Deus com entendimento usando composições tão pobres e vazias de conteúdo.
Além disso, devemos reconhecer que, se queremos oferecer um louvor a Deus, precisamos fazê-lo com mais qualidade. Hoje, todos têm consciência de que é possível e perigoso fazer manipulação emocional usando determinados ritmos. Quando momentos de louvor chegam a quase uma hora de duração, repletos de cânticos eufóricos, o público fica emocionalmente desequilibrado. Submetidos a uma verdadeira catarse musical, muita gente já nem é capaz de fazer uma crítica do que está acontecendo. A verdade é que, em muitos casos, a repetição de cânticos torna-se quase hipnótica. O público fica eufórico – às vezes, até com certa demonstração de sensualidade – e acaba formando uma massa de pessoas altamente manipulável. Alguma coisa está errada neste tipo de louvor.
Há uma crença generalizada de que podemos cantar todo e qualquer texto bíblico, já que é a Palavra de Deus. Isso é um engano – e é exatamente nesse ponto que fica evidente a necessidade do estudo da hermenêutica (interpretação bíblica). Não se pode, simplesmente, cantar qualquer coisa, ainda que sejam versículos bíblicos. Às vezes, o trecho musicado traz uma idéia incompleta, uma teologia ultrapassada pelos ensinos cristãos ou declarações que precisam ser corretamente interpretadas. Ora, há músicas hoje que estimulam o crente a perseguir os inimigos e a destruir os adversários – práticas de acordo com o contexto das guerras de Israel, mas totalmente opostas ao que Jesus ordenou – perdoar e amar os que nos opõem, conforme Mateus 5.
Diante dessa nova realidade da Igreja, é importante ter bom senso e equilíbrio. É claro que precisamos de uma renovação permanente de nossa hinódia. No entanto, não se pode mudar por mudar, prejudicando a própria fé cristã. Por isso, louvemos ao Senhor com sensibilidade, mas também com bastante sobriedade.
Josaías Jr. - 7 Razões Para Não Chamar Músicos de "Levitas"
Fonte: iPródigo.

Sei que esse assunto já foi batido e rebatido várias vezes, por isso é possível que esse texto não apresente nenhuma novidade para alguns irmãos. Entretanto, gostaria de compilar aqui algumas das melhores razões para não usarmos a expressão levita para designar as pessoas que tocam e cantam no “período de louvor”. E mesmo que você não use o termo, proponho que leia pelo prazer de ver a história da salvação se desenrolando na figura do sacerdote.
Com isso, desejo não apenas levar irmãos a repensarem esse costume, mas também mostrar que a teologia por trás do sacerdócio levítico é muito mais bela, ampla e grandiosa do que parece. Quero deixar claro (antes que alguém objete) que uma igreja pode usar essa expressão e ainda realizar cultos de adoração verdadeira, e que ninguém será condenado pelo uso do termo. Entretanto, não há nenhuma boa razão para cometer esse erro deliberadamente. E, creio, qualquer desvio do ensino bíblico, mesmo os que parecem mais simples, podem ser portas para distorções perigosas. Por isso, sugiro que líderes e pastores levem em consideração o que está exposto aqui.
A Bíblia relata, é verdade, que existiam levitas envolvidos com a música no antigo Israel. Vemos corais e bandas formados por membros da tribo de Levi e voltados exclusivamente para esse ministério. Entretanto, também lemos sobre levitas que cuidavam de outras atividades cultuais, como o sacrifício, e aqueles que se envolviam em tarefas administrativas e operacionais.
A Bíblia relata, é verdade, que existiam levitas envolvidos com a música no antigo Israel. Vemos corais e bandas formados por membros da tribo de Levi e voltados exclusivamente para esse ministério. Entretanto, também lemos sobre levitas que cuidavam de outras atividades cultuais, como o sacrifício, e aqueles que se envolviam em tarefas administrativas e operacionais.
Sei que alguns defensores da expressão “levita” sabem disso. (Por exemplo, o polêmico concurso “Promessas” admite isso em seu site oficial). Ainda assim, preferiu-se ignorar todas as outras funções associadas ao ministério levítico e concentrar-se apenas nessa. Por quê?
Alguns entendem que é por estrelismo dos músicos, mas prefiro pensar que há um motivo mais profundo – a valorização medieval de funções “sagradas” em detrimento de funções “seculares”. Varrer o chão, organizar culto, carregar coisas – qualquer um faz. Adorar, somente os crentes. Há um fundo de verdade aí, mas também há uma ignorância quanto ao chamado geral de Deus para humanidade. Tanto o administrador quanto o zelador podem glorificar a Deus em suas respectivas funções. Isso não é um culto público, mas é um culto.
Assim, alguém responsável por assuntos cotidianos como arrumar cortinas do templo poderia “ser tão adorador” quanto Asafe, o compositor. E um músico no culto público pode estar profanando o nome de Deus – se seu alvo não for a glória do Criador.
Um dos assuntos mais interessantes da Bíblia é a teologia do local de adoração. Quando Adão e Eva foram criados, eles receberam um chamado de glorificar a Deus por meio do casamento e da procriação, do domínio sobre a natureza e do descanso no sétimo dia. E eles foram colocados em um Jardim, onde poderiam adorar o Criador e exercer a função de guardar e cuidar do Éden.
Um dos assuntos mais interessantes da Bíblia é a teologia do local de adoração. Quando Adão e Eva foram criados, eles receberam um chamado de glorificar a Deus por meio do casamento e da procriação, do domínio sobre a natureza e do descanso no sétimo dia. E eles foram colocados em um Jardim, onde poderiam adorar o Criador e exercer a função de guardar e cuidar do Éden.
Algo que passa despercebido pela maioria dos cristãos é que Moisés e outros autores bíblicos repetiram certas expressões e símbolos sobre o Jardim do Éden quando falavam sobre o tabernáculo e o templo. Ou seja, o Éden era um “templo” que deveria ser guardado pelos primeiros levitas – Adão e Eva. O termo “lavrar e guardar” (Gn 2.15) é a mesmo usado para as funções dos levitas em Números 3.7-8, 8.26 e 18.5-6. O chamado de adoração e cuidado com o “templo” é um chamado geral, dado a nossos primeiros pais, assim como o casamento, a família, o trabalho e o descanso.
“Se o Éden é visto como um santuário ideal, então talvez Adão deva ser descrito como um Levita arquetípico” (Gordon J. Wenham)
Como ungidos do Senhor, os levitas tinham um papel de mediar a Aliança entre Yahweh e o povo de Israel. Eles não eram simplesmente pessoas que “ministravam a adoração” para a congregação. Muitos veem o povo realizando sacrifícios e entendem que aquilo era o paralelo de nossos momentos de louvor hoje. Há certa relação, mas os sacerdotes faziam muito mais.
Como mediadores, eles exerciam o papel de representar Deus para o povo e representar o povo para Deus. É por isso que esse era um cargo de extrema importância e perigo. Se o levita chegasse contaminado na presença de Deus, ele estava dizendo que a nação estava em pecado. Se ele chegasse maculado na presença de Israel, era uma blasfêmia – “Deus” estava corrompido. Eles não estavam simplesmente realizando cultos, eles tornavam o culto possível.
Hoje, esse papel é cumprido perfeitamente por nosso sacerdote e cordeiro Jesus. Como perfeito Deus e perfeito homem, ele pode posicionar-se como representante de Yahweh diante do povo e representante da igreja diante de Deus. Como afirma o Apóstolo, “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Tm 2.5). Assim, o ministro de louvor hoje é meramente alguém dependente do verdadeiro mediador, aquele que torna o culto possível, o Senhor Jesus.
Entretanto, apesar de sacerdote, Jesus não pode ser considerado um levita. Um motivo para isso é biológico – ele não é descendente de Levi, mas de Judá. Como ele poderia assumir a função sacerdotal? O segundo motivo é teológico. O autor de Hebreus ensina que Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5.10).
O Salmo 110 (não sem motivo o texto do Antigo Testamento mais citado no Novo) nos fala de um rei-sacerdote que se assenta no trono de Davi. De fato,o próprio Davi cumpriu certas funções sacerdotais sem ser realmente um levita. Como isso seria possível? Isso acontece porque esse sacerdote é da mesma ordem de um misterioso personagem de Gênesis 14, um rei de Salém (note as sílabas finais de uma tal Jerusalém) chamado Melquisedeque.
Esse personagem, por estar envolto em tanto mistério, é considerado uma figura de Cristo. Ele era “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus” (Hb 7.3) e tanto rei de justiça, quanto de paz (7.2). Assim,valorizar demais o sacerdócio levítico pode nos levar a renegar uma ordem superior, a de Melquisedeque, por quem vem a perfeição (Hb 7.11).
O autor de Hebreus vai mais além e diz que o sacerdócio da ordem de Arão foi revogado. Diante da superioridade de um sacerdote que é eterno (Hb 7.24), mediador de uma Aliança superior (Hb 8.6), ele conclui que o sistema anterior era fraco e não podia aperfeiçoar (7.18,19).
Usando o relato sobre Abraão e Melquisedeque, o autor de Hebreus mostra que, quando o Patriarca entregou seus dízimos ao Rei de Salém, estava ali comprovado que o sacerdócio levítico era inferior ao sacerdócio de Jesus. Como assim? Ele explica que a tribo de Levi era responsável pelo recolhimento do dízimo no antigo Israel. Mas o que vemos em Gênesis? Um antepassado dos levitas entregando as ofertas e sendo abençoado por outro sacerdote! Levi, ainda nos lombos de Abraão (7.10), colocou-se debaixo da autoridade de Melquisedeque. Como sabemos, somente o maior abençoa o menor (7.7).
Assim, depois dessa interpretação pouco usual (mas inspirada), o autor de Hebreus conclui – a Nova Aliança envelheceu a primeira, que está velha e prestes a acabar (8.13). Assim, fazer referência a essa instituição em cultos neotestamentários é exaltar as sombras que passaram, que não aperfeiçoam (10.1) e são fundadas no que é terrestre e passageiro (8.2).
Unidos a Cristo, somos tratados como portadores de sua perfeita vida de obediência e, assim, podemos ser considerados sacerdotes. Um dos chamados de Israel era ser um reino de sacerdotes (Êx 19.6) – justamente a posição que Adão falhou em cumprir. O apóstolo Pedro aplica essa expressão à igreja e afirma que somos sacerdócio real (1 Pe 2.9).
Da mesma forma que a humanidade foi chamada, no primeiro Adão, para guardar o Éden, a nova humanidade, no último Adão, é chamada a ministrar na Nova Criação. Todos os crentes são chamados a adorar e oferecer sacrifícios (Rm 12.1), não apenas uma classe especial de pessoas. É isso que chamamos de sacerdócio universal dos crentes.
A última razão é mais prática que teológica. Em muitas igrejas, essa separação entre “ministros de louvor” e a congregação gera uma perigosa classificação de espiritualidade. É claro que pessoas que se colocam à frente da congregação (e, de certa forma, ensinam e lideram o rebanho) devem tomar um cuidado especial em relação a suas atitudes e serão responsabilizados mais rigorosamente.
Entretanto, isso não coloca necessariamente os cantores e músicos em algum tipo de posição diferente, como alguém mais consagrado, um foco maior de ataques do inimigo, imune à críticas, etc. Tanto pastores, quanto músicos e “leigos” são aceitos por Deus por meio da fé em Cristo, porque ele viveu e morreu de forma perfeita por nós. Diante de Deus, todos têm 100% de aprovação.
Ao mesmo tempo em que músicos e cantores devem estar atentos para que não caiam, eles precisam se lembrar de que a cruz nivela tudo – somos todos merecedores da ira eterna, somos todos considerados perfeitos por Deus. Em Cristo, não em Levi, todos somos templo,sacrifício e sacerdotes. Se Deus nos uniu assim, quem somos nós para separar?
domingo, 27 de maio de 2012
Qual tradução devo utilizar?
Tenho defendido a bandeira da música cristã brasileira, da qualidade de nossos compositores e nessidade de valorizarmos nossa cultura. No entanto, é claro que existem musicas de qualidade sendo feitas em outros países, e não é errado importá-las para nossa língua. Mas quando começamos a querer utilizar músicas traduzidas, enfrentamos alguns problemas:
O primeiro se refere à questão linguística. Nunca uma tradução irá refletir 100% do conteúdo original, isso porque existem frases e termos que são característicos de cada língua e cultura, e não podem ser traduzidas diretamente. Muitas vezes a forma estrutural da língua traduzida não consegue explicar completamente o texto original, além do fato de que o tradutor pode cometer erros ao traduzir um texto, entendendo uma palavra ou uma frase erroneamente.
Um segundo problema se refere à questão semântica do texto. Muitas vezes o conteúdo sobre o que o texto se refere é alterado na tradução, transformando a mensagem conforme a intensão do tradutor. Isso pode ser um problema grave, pois uma música que é bela no original pode virar herege na tradução.
Em terceiro, temos a questão musical e poética. Não podemos fugir da melodia original da música, e sua acentuação. A tradução deve se encaixar perfeitamente na melodia da música, respeitando suas pausas, tempos fortes e fracos alinhados com a acentuação correta da métrica do texto traduzido, além da questão poética como rimas e efeitos linguístico.
Por fim, temos a diversidade de tradução. Não que a liberdade de traduzir um texto seja ruim em si mesma, mas algumas músicas possuem tantas versões diferentes que escolher qual tradução utilizar em nossa igreja se torna um problema. Parte do grupo conhece e gosta de uma versão, parte do grupo de outra, quando o grupo vai tocar em outra comunidade, a outra comunidade conhece outra versão e assim por diante. O triste é que muitas vezes essa diferenciação se dá por uma questão mercadológica, para não ter que pagar os direitos autorais do tradutor.
Apenas para efeitos de exemplos, veja abaixo três traduções diferentes da música "Here I Am To Worship" e compare as diferenças delas entre si:
Agora, caso você saiba um pouco de inglês, leia a versão original:
Após analisar as traduções disponíveis, e bater com o original, você pode utilizar 3 critérios para escolher a melhor tradução:
Na próxima vez que for ensinar uma música traduzida nova, tenha cuidado em pesquisar e escolher a melhor tradução.
Renan Alencar de Carvalho
O primeiro se refere à questão linguística. Nunca uma tradução irá refletir 100% do conteúdo original, isso porque existem frases e termos que são característicos de cada língua e cultura, e não podem ser traduzidas diretamente. Muitas vezes a forma estrutural da língua traduzida não consegue explicar completamente o texto original, além do fato de que o tradutor pode cometer erros ao traduzir um texto, entendendo uma palavra ou uma frase erroneamente.
Um segundo problema se refere à questão semântica do texto. Muitas vezes o conteúdo sobre o que o texto se refere é alterado na tradução, transformando a mensagem conforme a intensão do tradutor. Isso pode ser um problema grave, pois uma música que é bela no original pode virar herege na tradução.
Em terceiro, temos a questão musical e poética. Não podemos fugir da melodia original da música, e sua acentuação. A tradução deve se encaixar perfeitamente na melodia da música, respeitando suas pausas, tempos fortes e fracos alinhados com a acentuação correta da métrica do texto traduzido, além da questão poética como rimas e efeitos linguístico.
Por fim, temos a diversidade de tradução. Não que a liberdade de traduzir um texto seja ruim em si mesma, mas algumas músicas possuem tantas versões diferentes que escolher qual tradução utilizar em nossa igreja se torna um problema. Parte do grupo conhece e gosta de uma versão, parte do grupo de outra, quando o grupo vai tocar em outra comunidade, a outra comunidade conhece outra versão e assim por diante. O triste é que muitas vezes essa diferenciação se dá por uma questão mercadológica, para não ter que pagar os direitos autorais do tradutor.
Apenas para efeitos de exemplos, veja abaixo três traduções diferentes da música "Here I Am To Worship" e compare as diferenças delas entre si:
| Luz do mundo As trevas venceu Meus olhos se abriram para ver A beleza que o meu coração adora Quero viver só para ti Aqui estou para adorar-te Aqui estou para prostrar-me Aqui estou para dizer que tu és meu Deus És todo amoroso, És tão glorioso Es maravilhoso para mim Rei de todo universo exaltado tu és Glorioso acima dos céus Humilhou-se e veio a terra que criou Por amor pobre ele se fez Nunca vou saber quanto custou Para ver meu pecado naquela cruz |
Luz do mundo Vieste á terra Pra que eu pudesse te ver Tua beleza me leva a adorar-te Quero contigo viver Vim para adorar-te Vim para prostar-me Vim para dizer que és meu Deus És totalmente amável Totalmente digno Tão maravilhoso para mim Eterno rei, exaltado nas alturas. Glorioso nos céus Humilde vieste á terra que criaste E por amor pobre se fez Eu nunca saberei o preço Dos meus pecados lá na cruz |
Luz do Mundo Você entrou na escuridão Abra meus olhos, Faz-me ver Beleza que fez, Este coração Te adora Esperança de uma vida gastada com Você Aqui estou pra adorar Aqui estou pra me curvar Aqui estou pra dizer que Tu és meu Deus Você é completamente adorável Completamente merecedor Completamente maravilhoso pra mim Rei de todos os dias Oh, tão altamente exaltado Glorioso no Céu acima Humildemente que Você veio Para a terra que Tu criastes Tudo pela razão do amor se tornou pobre Eu nunca saberei quanto valeu Ver meu pecado naquela cruz |
Agora, caso você saiba um pouco de inglês, leia a versão original:
Light of the world
You stepped down into darkness
Open my eyes
Let me see
Beauty that made
This heart adore you
Hope of a life
Spent with you
Here I am to worship
Here I am to bow down
Here I am to say that you're my god
You're altogether lovely
Altogether worthy
Altogether wonderful to me
King of all days
Oh, so highly exalted
Glorious in heaven above
Humble you came
To the earth you created
All for love's sake became poor
I'll never know how much it cost
To see my sin upon that cross
Após analisar as traduções disponíveis, e bater com o original, você pode utilizar 3 critérios para escolher a melhor tradução:
- Escolher a tradução mais próxima do original: O autor escreveu a música para propagar uma mensagem, e ela deve ser respeitada. Se não concordar com que a música prega, não a utilize.
- Escolher a tradução que melhor reflete a sua doutrina: Independente da intenção do autor, o que vale é adequar a música para respaldar a crença e a doutrina da sua comunidade.
- Escolher a que mais lhe agrada: deixando de lado qualquer critério racional, é levado em conta o gosto pessoal de cada integrante para decidir qual a melhor tradução a ser cantada.
Na próxima vez que for ensinar uma música traduzida nova, tenha cuidado em pesquisar e escolher a melhor tradução.
Renan Alencar de Carvalho
sábado, 26 de maio de 2012
Teoria Musical - Parte 2 - Conceitos Básicos: As Notas
No último post sobre teoria musical, escrevi uma breve introdução histórica sobre o estudo da teoria musical, e os motivos do porque é importante qualquer pessoa que queira se envolver com música, seja instrumentista ou cantor, estudá-la.
Nesse posts, gostaria de abordar alguns conceitos básicos sobre música e teoria musical, a fim de nivelar os termos e o conhecimento de qualquer leitor, antes de começarmos a aprofundar na teoria propriamente dita.
Desde já, gostaria de deixar claro que não é minha intenção fornecer um curso completo de teoria, mas espero que o material fornecido seja suficiente para que você consiga continuar sua pesquisa e estudo por sua conta.
As Notas
Dentro da música e da teoria musical, o conceito mais básico é o conceito de nota musical. Embora paraça básico dizer isso, é importante decorá-las e ter fluência em seus conceitos básicos, conforma abordaremos nesse texto.
Sempre que emitimos um som, emitimos uma (ou várias) notas, ou seja, estamos produzindo uma vibração sonora em uma determinada frequância específica e constante. Para ficar mais claro, quando tocamos uma tecla de um piano, ou uma corda de um violão estamos produzindo uma nota. No caso do piano, cada tecla representa uma nota diferente (experimente em um piano on-line).
Sempre que tocamos uma nota, o som criado possui quatro características básicas, que podem ser alterados de acordo com a vontade do instrumentista:
Notas Naturais e Acidentais.
Dentro da nossa música ocidental, por questões históricas e culturais, toda música era feita por uma escala (sequência de notas) de 7 notas. Conforme escrevi no último post, os nomes das notas surgiram por volta do séc. X, retiradas de uma música em homenagem ao Santo João, onde cada frase começava por sua nota correspondente da escala. São elas: Do, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, e Si. Essas ficaram conhecidas como notas naturais.
As escalas musicais são cíclicas, isto é, as notas vão se repetindo em oitavas diferentes, ou seja, depois do "Si", a oitava nota seria novamente o "Dó", porém mais agudo. Do ponto de vista físico, uma nota uma oitava acima tem exatamente o dobro da frequência de vibração. Por exemplo, o padrão internacional de afinação é a nota Lá em 440 Hz (vibrações por segundo). Se tocarmos uma nota em 880 Hz, teremos novamente a nota lá uma oitava acima. Se tocarmos uma nota em 220 Hz, teremos a nota lá uma oitava abaixo.
Na notação americana, as notas são chamadas por letras. No Brasil, utilizamos essa notação por letras para representar acordes (veremos no futuro), mas também podemos chamar cada nota por uma letra, conforme a imagem abaixo:
Para qualquer músico, é fundamental decorar essa sequencia de notas, começando de qualquer uma delas, de forma crescente ou decrescente. Existem diversas músicas, principalmente infantis, para ajudar a decorá-las. Particularmente gosto da "Minha Canção", da peça "Os Saltimbancos", de Chico Buarque.
Com a evolução da música, principalmente com o aparecimento da harmonia (veremos no futuro), os músicos perceberam que determinadas situações (principalmente para se evitar o trítono*) demandavam notas que não estavam entre as notas naturais, conhecidas até então. Isso porque a "distância" entre as notas naturais não eram exatamente iguais. A distância entre o Mi e o Fá, e entre o Si e o Dó é sensivelmente menor do que entre as demais notas, onde podiam ser executadas notas intermediárias. Essas notas que surgiram foram chamadas de notas acidentais.
A partir do Barroco (séc. XVII), a oitava foi dividida em 12 notas com distâncias exatamente iguais entre elas. Essa distância foi chamada de "meio-tom" (1/2 tom), e a cada dois meio-tons, temos um tom. Essa noção de medida de distância entre as notas será importante no futuro quando estudarmos construção de escalas e de acordes, mas por hora não é importante decorar isso.
No desenho abaixo tempos as 12 notas que compõem a nossa música ocidental:
Para representar as notas intermediárias, surgiram as notações de # (sustenido) e b (bemol), que quer dizer que a nota deve ser tocada 1/2 tom acima (#) ou abaixo (b) do seu valor normal. Portanto, a nota intermediária entre o Dó e o Ré pode ser chamada tanto de Dó#, como de Réb, dependendo do contexto em que ela está sendo utilzada.
No piano é fácil identificar quais são as notas. Todas as teclas brancas representam notas naturais, e todas as teclas pretas representam notas acidentais. Olhando para as teclas pretas, podemos perceber que elas alternam entre grupos de dois e de três. A tecla branca antes de cada grupo de duas teclas pretas é o Dó. A partir dele, cada tecla branca que avançamos, andamos com uma nota natural, e a tecla preta entre as teclas brancas pode ser uma nota sustenido da sua nota à esquerda, ou bemol da nota da sua direita. A imagem abaixo mostra as notas no piano:
Nos próximos posts continuarei abordando alguns conceitos básicos antes de iniciarmos a leitura de partituras. Fiquem à vontade para perguntarem, fazerem comentários, acréscimos ou críticas no espaço de comentários do blog para ajudar a formar um material melhor.
atenciosamente,
Renan Alencar de Carvalho
* Trítono é o nome dado ao intervalo de quinta diminuta (3 tons), que ocorre quando tocamos as notas Si e Fá juntas. Esse intervalo divide a oitava exatamente no meio e é considerado o intervalo mais dissonante. Durante algum tempo da história, esse intervalo era considerado satânico pela igreja, e não poderia ser utilizado sob hipótese nenhuma.
Nesse posts, gostaria de abordar alguns conceitos básicos sobre música e teoria musical, a fim de nivelar os termos e o conhecimento de qualquer leitor, antes de começarmos a aprofundar na teoria propriamente dita.
Desde já, gostaria de deixar claro que não é minha intenção fornecer um curso completo de teoria, mas espero que o material fornecido seja suficiente para que você consiga continuar sua pesquisa e estudo por sua conta.
As Notas
Dentro da música e da teoria musical, o conceito mais básico é o conceito de nota musical. Embora paraça básico dizer isso, é importante decorá-las e ter fluência em seus conceitos básicos, conforma abordaremos nesse texto.
Sempre que emitimos um som, emitimos uma (ou várias) notas, ou seja, estamos produzindo uma vibração sonora em uma determinada frequância específica e constante. Para ficar mais claro, quando tocamos uma tecla de um piano, ou uma corda de um violão estamos produzindo uma nota. No caso do piano, cada tecla representa uma nota diferente (experimente em um piano on-line).
Sempre que tocamos uma nota, o som criado possui quatro características básicas, que podem ser alterados de acordo com a vontade do instrumentista:
- Altura - A altura de uma nota se refere a quão grave (ou agudo) uma nota é. Quanto maior a altura de uma nota, mais aguda ela será e vice-versa. No caso do piano, a evolução da altura segue da esquerda para a direita, ou seja, quanto mais para a esquerda, mais grave, e quanto mais para a direita, mais agudo.
- Intensidade - A intensidade se refere a quão fraco ou forte é a nota, ou seja, ao volume dela. Existe uma relação direta entre o esforço (força) gasto para executar a nota, e o volume resultante. Quanto maior o esforço para se executar uma nota, maior o seu volume.
- Duração - A duração se refere ao tempo que a nota fica soando. O conceito do que é uma nota rápida ou demorada varia de acordo com o contexto da música e seu andamento (veremos mais a frente), e do instrumento. Alguns instrumentos de corda (como por exemplo o violão), não conseguem manter uma nota soando pelo mesmo tempo que um instrumento de sopro, como a flauta.
- Timbre - O timbre define a identidade da nota. Sabemos distinguir se o instrumento que está sendo tocado é um piano ou um violão porque cada um possui um timbre, um som característico. Alguns instrumentos permitem conseguir diferentes timbres para uma mesma nota. Por exemplo, no violão é possível uma variação do timbre apenas alterando o ponto da corda em que fazemos ela vibrar; quanto mais para o meio, mais aveludado será o timbre, e quanto mais próximo das bordas, mais metálico será o som produzido. O ajuste do timbre se torna importante em instrumento elétricos (como a guitarra e o sintetizador), mas não são uma preocupação constante nos instrumentos acústicos.
Notas Naturais e Acidentais.
Dentro da nossa música ocidental, por questões históricas e culturais, toda música era feita por uma escala (sequência de notas) de 7 notas. Conforme escrevi no último post, os nomes das notas surgiram por volta do séc. X, retiradas de uma música em homenagem ao Santo João, onde cada frase começava por sua nota correspondente da escala. São elas: Do, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, e Si. Essas ficaram conhecidas como notas naturais.
As escalas musicais são cíclicas, isto é, as notas vão se repetindo em oitavas diferentes, ou seja, depois do "Si", a oitava nota seria novamente o "Dó", porém mais agudo. Do ponto de vista físico, uma nota uma oitava acima tem exatamente o dobro da frequência de vibração. Por exemplo, o padrão internacional de afinação é a nota Lá em 440 Hz (vibrações por segundo). Se tocarmos uma nota em 880 Hz, teremos novamente a nota lá uma oitava acima. Se tocarmos uma nota em 220 Hz, teremos a nota lá uma oitava abaixo.
Na notação americana, as notas são chamadas por letras. No Brasil, utilizamos essa notação por letras para representar acordes (veremos no futuro), mas também podemos chamar cada nota por uma letra, conforme a imagem abaixo:
Para qualquer músico, é fundamental decorar essa sequencia de notas, começando de qualquer uma delas, de forma crescente ou decrescente. Existem diversas músicas, principalmente infantis, para ajudar a decorá-las. Particularmente gosto da "Minha Canção", da peça "Os Saltimbancos", de Chico Buarque.
"Dorme a cidade
Resta um coração
Misterioso
Faz uma ilusão
Soletra um verso
Lavra a melodia
Singelamente
Dolorosamente
Doce a música
Silenciosa
Larga o meu peito
Solta-se no espaço
Faz-se a certeza
Minha cançao
Réstia de luz onde
Dorme o meu irmão"
Com a evolução da música, principalmente com o aparecimento da harmonia (veremos no futuro), os músicos perceberam que determinadas situações (principalmente para se evitar o trítono*) demandavam notas que não estavam entre as notas naturais, conhecidas até então. Isso porque a "distância" entre as notas naturais não eram exatamente iguais. A distância entre o Mi e o Fá, e entre o Si e o Dó é sensivelmente menor do que entre as demais notas, onde podiam ser executadas notas intermediárias. Essas notas que surgiram foram chamadas de notas acidentais.
A partir do Barroco (séc. XVII), a oitava foi dividida em 12 notas com distâncias exatamente iguais entre elas. Essa distância foi chamada de "meio-tom" (1/2 tom), e a cada dois meio-tons, temos um tom. Essa noção de medida de distância entre as notas será importante no futuro quando estudarmos construção de escalas e de acordes, mas por hora não é importante decorar isso.
No desenho abaixo tempos as 12 notas que compõem a nossa música ocidental:
Para representar as notas intermediárias, surgiram as notações de # (sustenido) e b (bemol), que quer dizer que a nota deve ser tocada 1/2 tom acima (#) ou abaixo (b) do seu valor normal. Portanto, a nota intermediária entre o Dó e o Ré pode ser chamada tanto de Dó#, como de Réb, dependendo do contexto em que ela está sendo utilzada.
No piano é fácil identificar quais são as notas. Todas as teclas brancas representam notas naturais, e todas as teclas pretas representam notas acidentais. Olhando para as teclas pretas, podemos perceber que elas alternam entre grupos de dois e de três. A tecla branca antes de cada grupo de duas teclas pretas é o Dó. A partir dele, cada tecla branca que avançamos, andamos com uma nota natural, e a tecla preta entre as teclas brancas pode ser uma nota sustenido da sua nota à esquerda, ou bemol da nota da sua direita. A imagem abaixo mostra as notas no piano:
Nos próximos posts continuarei abordando alguns conceitos básicos antes de iniciarmos a leitura de partituras. Fiquem à vontade para perguntarem, fazerem comentários, acréscimos ou críticas no espaço de comentários do blog para ajudar a formar um material melhor.
atenciosamente,
Renan Alencar de Carvalho
* Trítono é o nome dado ao intervalo de quinta diminuta (3 tons), que ocorre quando tocamos as notas Si e Fá juntas. Esse intervalo divide a oitava exatamente no meio e é considerado o intervalo mais dissonante. Durante algum tempo da história, esse intervalo era considerado satânico pela igreja, e não poderia ser utilizado sob hipótese nenhuma.
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