Blog pessoal de Renan Alencar de Carvalho. Um espaço aberto sobre música, arte, e reflexões sobre louvor e adoração àquele que nos criou, e nos deu a maravilhosa capacidade de nos expressar!
Durante o "Nossa Música Brasileira" o Guilherme de Carvalho abordou de forma profunda e bíblica sobre a importância da beleza. Durante a palestra, ele citou o vídeo abaixo, que é uma reflexão em forma de documentário sobre a importância da beleza, e como ela está se perdendo no nosso mundo pós-moderno.
Mais do que nunca, precisamos de beleza... não no sentido puramente plástico e artificial, mas a beleza acompanhada de significado, de pureza, de verdade e de bondade. Beleza na maneira como guiamos nossas vidas, nossas relações, nos nossos valores, nossa sociedade....... beleza do reflexo de Cristo em nossas vidas.
Com um trabalho que talvez seja único no Brasil (e quem sabe mais além), a dupla formada pelo casal Sérgio Pereira e Marivone Lobo se destaca pela formação pouco usual de "Baixo e Voz", nome da dupla, onde todo o acompanhamento rítmico-harmônico é feito pelo baixo, explorando uma função pouco comum ao instrumento, enquanto a melodia fica para a voz de Marivone. Ao longo dos 4 discos que compõem seu trabalho ("Baixo e Voz", "Veleiro", "Cores" e "Viagens de Fé"), o repertório da dupla conta interpretações de grandes nomes da música cristã brasileira, hinos tradicionais, além de composições próprias, sempre em arranjos recheados de musicalidade e bom gosto. No ano passado, 2011, a dupla completou 20 anos de carreira e, para comemorar a data, gravou o seu primeiro DVD: "Baixo e Voz ao Vivo", que está quase saindo do forno. Aproveitando o audio do DVD, a dupla resolveu lançar o trabalho também em CD, que já está com todo o trabalho de mixagem e arte pronto, aguardando apenas ser prensado. No entanto, como músicos independentes, todo o recurso para a produção dos discos partem deles mesmos, o que infelizmente é limitado. Desse modo, à partir do dia 10 de setembro, a dupla iniciará um trabalho de arrecadação de fundos para poder mandar prensar as cópias dos discos e pagar os direitos autorais através da ferramenta "Mobilize", do Facebook. As pessoas que colaborarem com o disco terão direito à prêmios exclusivos, conforme a doação feita.
Com toda certeza, o trabalho do "Baixo e Voz" merece ser visto, ouvido e compartilhado. Portanto, participe dessa campanha colaborativa e reserve o seu CD.
Eu recomendo!
Até aqui tenho tenho me mantido fiel aos temas de música, arte e adoração nos meus posts, mas gostaria de me utilizar do fato de ser um blog pessoal para abordar outros temas que tem incomodado o meu coração. Precisamos lembrar que somos pessoas por inteiro e, como cristãos, só poderemos experimentar uma comunhão e uma adoração verdadeira olhando para a vontade de Deus sobre todas as áreas de nossa vida.
Na verdade, tenho visto muita discussão sobre o tema de música e adoração... e muita discussão inútil. Hoje, acompanhando os comentários de um texto sobre um determinado nome da música cristã, vi comentários do tipo "Ele é um idiota que precisa se converter...", "idiota é você que não entendeu o que ele disse...", além de pirações teológicas para para tentar explicar coisas que, no final, não fazem diferença.
Foi para isso que Cristo morreu? Para nos digladiarmos em discussões infrutíferas? Para sermos intolerantes aos que pensam diferentes? Para provarmos que nossa teologia é melhor que a dos outros? Para gastarmos tempo em tentar explicar o coração de Deus? Apesar de toda a teologia e de toda a revelação bíblica, Deus é incompreensível. É impossível para nós, pó, entendermos Deus em sua plenitude. Existem diversos mistérios que não nos foram revelados, e provavelmente não o serão. Por que então perder tanto tempo, e até nos agredir, discutindo algo que, em última instância, ninguém pode saber com certeza?
O engraçado é que se olharmos para a mensagem que Jesus pregou, ela é incrivelmente simples. Podemos resumir o ensinamento de Cristo em poucos pontos:
Ame à Deus sobre TODAS as coisas.
Ame ao próximo
Pratique o que é certo, bom e justo
No entanto, ao mesmo tempo que o ensino de Cristo é simples assim, me parece que é o que menos tem sido praticado dentro das igrejas. Temos sidos muito mais teóricos do que práticos sobre o evangelho. Comumente falhamos, em muito, em aplicar a mensagem de Cristo em nossas vidas.
Dizem que quando o Andréas Segóvia, um dos maiores violonistas da história, quando indagado sobre o segredo se sua técnica, respondeu que nunca se afastou dos exercícios básicos. Creio que esse princípio também vale para nossa vida espiritual. Não podemos nos afastar dos ensinamentos e doutrinas mais básicas do cristianismo.
"O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei."
João 15:12 (N.V.I.)
Antes de querermos entrar em qualquer discussão teológica, antes de querermos falar a língua dos homens e dos anjos, antes de querer entender o coração de Deus: Amemo-nos.
Para quem me conheçe, e sabe que também sou mais teórico do que prático, não me interpretem como hipócrita ao escrever as palavras acima. Eu sei que também estou muito longe do que deveria, e antes de qualquer outra pessoa, essa crítica é para mim mesmo.
Que Deus nos ajude a seguir o Seu caminho e refletir a Sua luz... sempre!
Para fechar, uma música do mestre Stênio:
"Quisera eu falar as línguas das nações
E aos povos irmanar em puras intenções
Deve ser doce, enfim, a língua angelical
Clamar com os serafins o Nome sem igual
E se eu profetizar, mistérios desvendar
Saber qual a razão de estrelas na amplidão
Se eu não tiver amor, de nada valerá
Eu viverei só pra saber o que é viver em vão
Quisera fé maior pra que eu vencesse o mal
E ao Pai servir melhor, pureza mais real
Oferecer os bens a quem mais precisar
Ir longe, muito além, a vida entregar
E eu que nada sou, não tenho muito a dar
Mas se eu tiver amor na vida que eu levar
Eu saberei , então, que o pouco que eu fiz
Não foi em vão, valeu a pena sentir meu Deus feliz!"
Hoje eu estava refletindo sobre a possibilidade de voltar a atuar em um grupo de louvor e adoração de uma igreja local, e os pensamentos e conceitos que tenho sobre o serviço musical no contexto congregacional, e que seriam relevantes, para mim, alinhar com o grupo antes de começar a atuar nele.
Isso ficou tão forte na minha cabeça que resolvi abstrair esses pensamentos e consolidar em uma espécie de "credo" pessoal referente à equipes de louvor. Espero que, compartilhando a minha visão, ajude a você formar a sua.
"Entendo que a adoração se dá quando temos a noção da grandeza de Deus (que excede nosso entendimento) e reconhecemos diante Dele que somos apenas meros pecadores, mas apesar disso disso, ele nos amou a ponto de se sacrificar no calvário para que pudessemos ter livre acesso a Ele. Diante disso, nós só podemos nos posicionar com toda o nosso entendimento, alma e espírito em gratidão e nos colocarmos à disposição desse Deus maravilhoso e amoroso, e fazer a Sua vontade em nossas vidas. Portanto, nossa adoração é formada pelo conjunto diário de atitudes que tomamos, ou seja, está mais ligada ao nosso estilo de vida do que ao momento de cânticos de domingo. A adoração congregacional é apenas um reflexo da nossa adoração pessoal e diária. Entendo que o uso de músicas no culto congregacional é um serviço prestado à comunidade de fé. Isso se dá tanto na dimensão vertical da adoração, auxiliando as pessoas se posicionarem em louvor e gratidão à Deus através das letras e das músicas, quanto na dimensão horizontal, ensinando doutrinas e ajudando as pessoas memorizá-las, auxiliando na comunhão, na exortação, no consolo dos corações quebrados etc. Eu rejeito qualquer intenção de uso da música como uma forma de manipulação sentimentalista forçando uma falsa espiritualidade guiada apenas por emoções, mas sem entendimento do que está sendo cantado. Sendo a música congregacional um serviço, entendo que a posição de qualquer membro da equipe de louvor deve ser a de servo, colocando as necessidades da comunidade de fé e de sua equipe à frente de suas próprias vontades, gostos e posições (desde que isso não contrarie o ensinamento e a teologia bíblica). Como servo, entendo que todos os membros de uma equipe de louvor devem trabalhar para o bem comum, ajudando em todas as tarefas, e investindo na vida das outras pessoas da equipe. Eu rejeito qualquer tentativa de exaltar, ou colocar os membros da equipe de louvor acima do resto da congregação, seja no título (levita) ou nas atitudes. Entendo que as letras cantadas no contexto congregacional devem ser prioritariamente teocêntricas e refletir uma teologia saudável do ponto de vista bíblico, e da declaração de fé da comunidade local. Rejeito qualquer tentativa de colocar o homem e seus desejos e exigências à frente da vontade de Deus revelada em sua palavra. Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Apesar da adoração não estar ligada à música em si, e sim ao coração de quem adora (em espírito e em verdade), entendo que em reposta a um Deus perfeito, o trabalho técnico/musical deve ser feito com a maior qualidade, excelência técnica e beleza estética possível. A capacidade intelectual e a criatividade foram dons de Deus dados aos homens para serem usados para o louvor de Sua glória. Menosprezar nossa capacidade técnica e criativa é menosprezar o trabalho que Deus delegou a nós. Entendo que em Cristo, todas as coisas são reconciliadas com Deus. Isso significa que minha personalidade, minha cultura e meus gostos musicais são redimidos comigo. Portanto, entendo que não existe separação entre músicas, ritmos e instrumentos santos ou profanos. Todo tipo de música, ritmo e instrumento pode, e deve, ser usado para glorificar a Deus, independente de seu contexto de origem. Entendo que, pela graça comum de Deus que se estende tanto para os que creem quanto para os que não creem no evangelho, mesmo um pecador não salvo pode produzir obras (artísticas) boas, com conteúdo espiritual relevante dentro de uma cosmovisão cristã e, portanto, podem ser apreciadas e até mesmo utilizadas dentro do contexto congregacional (com bom senso e maturidade). Ainda dentro desse contexto, entendo que a arte não precisa de justificativa, e toda e qualquer manifestação artística, em última estância, glorifica a Deus, pois só pôde ser feita por que Deus deu o dom da criatividade e da criação artística à humanidade. Desse modo, entendo que a manifestação artística, sem pretensão funcional ou congregacional, deve ser estimulada e apoiada dentro (e fora) da equipe de louvor. Entendo que a manifestação de adoração através da música deve ser contextualizada à cultura e aos costumes da comunidade de fé local. Desse modo, a forma de expressão pode, e deve, mudar de acordo com as características da comunidade. Como brasileiro, entendo que minha adoração deve refletir e valorizar a cultura e a música brasileira. Eu rejeito qualquer forma de imposição de estilos ou filosofias de músicas de adoração estrangeiras que sejam colocadas como mais santas ou mais corretas que as manifestações brasileiras. A importação pode acontecer desde que seja feita de forma consciente e natural, incorporando-a à cultura local, mas nunca substituindo-a. Ainda dentro desse contexto, entendo que cada comunidade tem uma realidade e uma necessidade espiritual diferente. Desse modo, entendo que a composição de novas músicas dentro da comunidade local deve ser estimulada para atender a demanda espiritual específica dessa comunidade. Entendo que o serviço dos músicos na comunidade local é um privilégio, que deve ser feito com amor e dedicação, visando o reino de Deus, e não como ganho. No entanto, havendo a possibilidade, sugiro fortemente que a liderança invista, inclusive financeiramente, na vida das pessoas que se dispõem a realizar esse trabalho, possibilitando dessa forma o seu crescimento e aperfeiçoamento como músicos e como cristãos. Sugiro que a comunidade considere manter pelo menos uma pessoa dedicada de forma integral , e portanto, paga, ao serviço musical, sendo essa pessoa responsável pela liderança, ensino e manutenção do grupo."