quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que é adoração?


Existem diversos livros a respeito de louvor e adoração, como "Adoração Bíblica" do Russel Shed (leia aqui), e diversos textos e estudos na internet, e sendo assim não vou me aprofundar nos conceitos bíblicos nesse post, mas gostaria de pensar um pouco sobre o que é adoração em nossas vidas de uma forma mais prática. 


Para muitos cristãos é muito mais fácil responder o que é adoração na teoria (com versículos bíblicos) do que viver a sua resposta. Apesar de ser o motivo de nossa existência, é algo que mantemos muito mais no conceitual do que na prática de nosso dia-a-dia, isso porque adoração está muito mais ligada a uma atitude, um estilo de vida.

Antes de continuar o post, vamos primeiramente ver algumas definições de adoração:

"adoração é a submissão de toda nossa natureza a Deus. É a aceleração da consiência por meio da Sua santidade; alimentação da mente com Sua verdade; purificação da imaginação por meio da Sua beleza; a abertura do seu coração ao Seu amor; a entrega da vontade ao Seu Propósito - tudo isso reunido em adoração, a emoção mais abnegada que a nossa natureza é capaz de ter e, portanto, o principal remédio para o egoísmo o qual é o nosso pecado original e a fonte do nosso pecado presente". William Temple


"Adoração é o ato de livremente dar amor para Deus. Esta ação dá forma a todas as atividades na vida do Cristão". John Wimber


Um dos grandes erros de qualquer cristão, especialmente dos que atuam em equipes de louvor, é pensar que adorar a Deus é algo que fazemos somente nos cultos e na igreja. O que fazemos no culto é apenas uma manifestação do que somos em nossa vida. Se não vivemos com intimidade com Deus no nosso convívio diário, nunca teremos uma adoração plena nos cultos, e sempre estaremos a beira da "adoração forçada e vazia", cantando, levantando as mãos e fechando os olhos de forma mecânica e finginda, tentando aparentar algo que não é verdadeiro em nossos corações.


A definição mais prática que penso de adoração é "Viver em intimidade com Deus, reconhecendo quem Ele é e seguindo a Sua vontade em nossas vidas, seja quando, onde ou com quem estivermos". Em outras palavras, "Adoração é fruto de uma vida diária de relacionamento com Deus".


Ao contrário do que algumas pessoas podem pensar, para viver com intimidade com Deus não requer horas e horas de meditação e oração todos os dias (claro que seria ótimo se fizessemos isso). Quando a bíblia fala "Seja comeis, seja bebeis, fazei para a glória de Deus", ela mostra de forma prática que nosso relacionamento com Deus está presente em todos os momentos de nossa vida, mesmo nas coisas mais simples do dia a dia. Pedir por uma vaga no estacionamento, agradecer por uma brisa em um dia quente, ou abençoar mentalmente um morador de rua, exaltar a Deus por contemplar um por do Sol... coisas que fazemos em nosso coração, orando em espirito, a qualquer momento e lugar. Como diz o salmo 34: "Louvarei ao SENHOR em todo o tempo; o seu louvor estará continuamente na minha boca".


No entanto, a grande dificuldade que temos em praticar essa vida de intimidade diária com Deus é que não é algo natural a nós. Viver nos confrontanto e nos colocando diante de Deus exige um grande esforço e disposição, é algo que temos que nos forçar, ativamente, e por isso rapidamente perdemos o foco quando precisamos dar atenção para qualquer outra coisa. 


A minha dica para esse problema é "Se exponha a coisas boas e que te remetem à Deus" (Colossenses 3:1-2). Por exemplo, em meu trabalho eu mantenho um calendário da Junta de Missões Mundiais que tem um versículo por dia. Isso não somente me permitiu ter uma rápida meditação diária, como abriu portas para falar sobre Cristo para pessoas que trabalham comigo. Existem diversos aplicativos na internet que oferece versículos e reflexões diárias gratuitamente. Sempre que puder, escute músicas de louvor à Deus, cante em casa etc. Essa exposição te ajudará a manter-se conectado com Deus e aberto a viver sua palavra.


Na próxima vez que você estiver em um culto, e sentir que o que você está cantando e orando está batendo no teto e ficando por ali, avalie como tem sido a sua vida espiritual. Talvez seja hora de mudar de atitude.


Para fechar o post, um vídeo com a música "Salmo 34", tocada pelo João Alexandre.






Que Deus abençoe sua vida,


Renan Alencar de Carvalho




* Referências: 
www.vineyardmusic.com.br
www.musicaeadoracao.com.br

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Qual o papel da equipe de louvor?

"É engraçado como existem tantas pessoas que se dizem chamadas para tocar no louvor, mas tão poucas pessoas chamadas para a ação social"

Não me recordo exatamente palavra por palavra, ou o nome do pastor que a falou, mas me lembro que essa frase chamou  a minha atenção, e ela ilustra bem como muitas pessoas não sabem responder a pergunta que intitula esse post, ou não entendem a sua profundidade.

De fato, existe um certo brilho em tocar e cantar no momento de cânticos da igreja. Além de ser prazeroso (pelo menos para mim tocar sempre é bom), muita gente vê como uma posição de destaque. Você está a frente de todas as pessoas da igreja, em um dos momentos com maior duração no culto (às vezes maior que a própria pregação), com o reconhecimento de muitas pessoas (especialmente quando você toca ou canta bem), e em algumas igrejas você até é chamado de um modo especial: Levita*.

Essa importância dada ao momento de cânticos causa a falsa associação de que louvor é igual à música, e de que esse momento é importante porque é o momento em que as pessoas louvam a Deus. Não que a segunda afirmação esteja errada, mas o perigoso é achar que esse é o único momento em que o louvor acontece. Louvamos à Deus cantando, orando, jejuando, contemplando, pensando... e todo o culto, do começo ao fim, é um momento de louvor.

Então afinal, para que serve o grupo de louvor?

Existem duas ilustrações interessantes para responder essa pergunta.

Teatro Municipal de Ouro Preto
Nos teatros de antigamente, existia uma pequena abertura na frente do palco, onde o diretor dava instruções aos atores sem ser visto pelo público.  Esse compartimento se chamava "ponto".
Se fôssemos comparar o teatro com uma igreja, talvez alguns diriam que as pessoas da equipe de louvor seriam os atores, a igreja seria o público da platéia, e Deus (Espirito Santo) o diretor dando as instruções no ponto.
No entanto, a comparação correta seria dizer que todas as pessoas da igreja são os atores, orientados pela equipe de louvor no ponto, apresentando sua adoração à Deus que está assistindo na platéia, e interagindo livremente com cada um no palco (e no ponto).

Outra ilustração interessante é a do pai da noiva. Diversas vezes a bíblia se refere à igreja como a noiva de Cristo. Pegando o gancho, em um casamento, o pai (equipe de louvor) acompanha a noiva (igreja) até o seu noivo (Cristo). O pai não está lá para apressar a noiva, ou puxá-la à força, mas vai no seu ritmo, segurando-a, dando apoio para que ela não tropece e caia no caminho.

É uma posição de destaque? De fato. Mas muito mais do que isso, é uma posição de serviço. Quando uma pessoa "sobe ao palco" para ministrar um período de louvor, ela têm que entender muito claramente que ela está ali para servir à igreja, para agir como um facilitador,  para ajudar a igreja a adorar à Deus.

Parece algo sutil, mas não é algo fácil de ser feito, e faz toda a diferença. Isso quer dizer que se você fez um solo de guitarra virtuoso "fora de hora", e algumas pessoas pararam de adorar à Deus para ver seu solo, você está errado. Você falhou em facilitar a adoração dessas pessoas. O mesmo vale quando alguém perde o foco e para de cantar por não conseguir acompanhar o vocal, que sempre enfeita demais e sai da melodia principal, ou por causa do baterista  que quebra em contra-tempos em todas as frases, e faz com que todos (inclusive a banda) se percam. Por outro lado, tocar somente músicas de forma totalmente reta e quadrada pode levar à monotonia, e também pode fazer com que as pessoas percam o foco.

O pai deve acompanhar o ritmo dos passos da noiva, não fazer a mais, nem a menos, e com certeza nem sempre é uma tarefa fácil identificar esse ponto de equilíbrio... pensar se uma dissonância no acorde vai embelezar a música sem desviar o foco, se um andamento não está rápido demais para que a igreja consiga acompanhar, se um solo vai intensificar o clima do momento, ou vai desviá-lo... enfim, cada movimento deve ser feito para servir a igreja.

Voltando à frase do início do texto, eu acho ótimo que tenham muitas pessoas que queiram atuar no "momento de louvor", mas quantas realmente buscam estar preparadas para isso e entendem o que isso significa? Para estar na "equipe de louvor", não é preciso ser um músico profissional, experiente, ou ter "x" tempo de igreja, mas é preciso entender qual é o seu papel, e principalmente entender a seriedade que é estar à frente de uma igreja antes de se dizer chamado para atuar nesse ministério.

Que Deus o abençoe,

Renan Alencar de Carvalho


domingo, 23 de janeiro de 2011

Conhecendo sua equipe

Quando se trata de trabalho em equipe, eu creio que um dos fatores mais importantes para o "sucesso" do grupo não está na habilidade individual de cada participante, mas no entrosamento que a equipe tem entre si. Um barco em que cada pessoa rema para um lado diferente não chega a lugar nenhum, não importa quão bom remador seja cada pessoa dentro. O barco anda bem quando todos remam juntos para a mesma direção. Tanto que nas galeras e barcos a remo da antiguidade eram tocados tambores para sincronizar a remada e  fazer com que todos trabalhassem de forma uniforme.

Fazendo um paralelo com a bíblia, o texto de I Co 12:4-11  mostra que a igreja é formada por uma equipe de pessoas com diferentes papéis (dons), e com certeza por pessoas em diferentes níveis de experiência e maturidade, mesmo assim Ef 4:1-6 deixa claro que devem atuar de maneira entrosada, com o mesmo modo de agir e pensar. O versículo 3 fala "Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz".

No entanto, para qualquer um que já participou de uma equipe sabe o quanto esse entrosamento e unidade é difícil de se conseguir, especialmente quando falamos em grupos artísticos. Cada um quer que as coisas sejam do seu jeito, os egos se inflamam com facilidade e as discussões aparecem por coisas muitas vezes banais. Não é por menos que Paulo falou para "fazermos todo o esforço para conservarmos a unidade".

Não quero me aventurar a dar alguma resposta de como solucionar esse problema, mas creio que um dos pontos que ajudam no amadurecimento do grupo seja conhecer sua equipe.

Quando falo em conhecer a equipe vai muito além do que saber o nome de cada um e dar um oi antes do ensaio. Envolve em entender o jeito que cada pessoa "trabalha", seus pontos fortes e fracos, suas dificuldades, seus gostos, seu modo de reagir a cada situação, saber sobre sua maturidade espiritual, sua experiência,  suas motivações, suas influências, suas opiniões etc.

Para isso, não basta apenas ter um tempo de convivência juntos. Muitas pessoas passam anos sem realmente se conhecerem. É necessário ter um tempo de qualidade. É preciso disposição para estar com a pessoa de forma ativa, conversando, orando, ensaiando, treinando, se divertindo às vezes, trocando experiências e idéias, dando feedback dos erros e acertos,  etc.

Não quero dizer que você tenha que ser o melhor amigo de cada pessoa, principalmente falando de grupos grandes, mas você deve nutrir um sentimentos de respeito e confiança com cada um para que o trabalho flua mais naturalmente.

Para você que é líder, um bom caminho para começar seja conhecer as áreas em que o grupo mais enfrenta dificuldades.

Em uma igreja que eu passei, eu utilizei algumas perguntas do livro "O coração do Artista" e fiz um questionário para cada membro de uma equipe de louvor e pedi para responderem sem assinar. Depois somei os resultados e fiz uma estatística das áreas com mais problemas, e a partir disso pude ver quais as áreas que precisavam ser trabalhadas e trazê-las para a discussão do grupo, e ver como cada um reagia àquela questão.

Para os próximos posts, vou tentar trazer algumas questões mais práticas sobre grupos de louvor e adoração. Não sou o dono  da verdade, nas espero contribuir para que seu grupo de louvor caminhe para se tornar cada vez mais uniforme e maduro.

Atenciosamente,

Renan Alencar de Carvalho

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Vivendo com Ética

Outro dia postaram uma frase no Twitter que me chamou muito a atenção:

"O movimento evangéllico é especialista em doutrina, criterioso em moralismo, mas paupérrimo em ética." 
(não me recordo o autor) 

Embora seja uma frase que cause um certo desconforto, não posso negar que tenha muito de verdade. É impressionante a nossa capacidade em não sermos o que dizemos ser, e menos ainda do que cobramos que as outras pessoas sejam.  E se não bastasse uma comparação entre nossas atitudes e nosso discurso, também esquecemos do que somos chamados a ser como cristãos: "Sal da terra e Luz do Mundo" (Mt 5:13-16).

Isso quer dizer que não basta vivermos fechados em nosso mundo (igreja), mas é nossa responsabilidade agirmos ativamente na construção de um mundo melhor, seja aonde estivermos, com quem estivermos e sempre.

Um vídeo que me marcou recentemente sobre essa  necessidade de sermos éticos em todos as nossas atitudes não veio de um pregador cristão, mas do atual presidente do grupo Santander Brasil, no TEDx São Paulo de 2009, que coloco abaixo.


Embora não seja de um autor cristão, gostaria de fechar com a frase de Gandhi que o Fábio Barbosa fechou o seu discurso, e que tem tudo haver com vida cristã:

"Sejamos nós a mudança que queremos ver no mundo."
Gandhi


Espero que você compartilhe comigo essa mesma atitude de vida.


Renan Alencar de Carvalho

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Homenagem a Sérgio Pimenta

Para quem não conhece, Sérgio Pimenta foi um grande compositor cristão no Brasil, e suas músicas estiveram na vanguarda da música cristã de sua época.

Esse vídeo é um pequeno documentário sobre a sua vida.



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Brincando com Afinações Abertas

Já fazia um bom tempo que não tocava um pouco, e resolvi gravar uns vídeos de brincadeira nesse último fim de semana, e pensei que isso poderia gerar um post para o blog. Fica como uma pequena sugestão prática para quem toca violão na igreja.

Saindo do normal

Normalmente, quando tocamos violão ou guitarra, temos como padrão a afinação das cordas na disposição colocada abaixo, tendo como o diapasão a nota Lá em 440 Hz.

1 - Mi
2 - Si
3 - Sol
4 - Ré
5 - Lá
6 - Mi

Mas essa não é a única afinação possível, e nem foi a primeira na história do violão. Na renascença, os alaúdes (avós dos violões modernos) tinham uma afinação bem parecida, mas a terceira corda era em Fá#, e o diapasão não era 440 (normalmente os grupos de música antiga afinam entre 410 e 420 Hz).

Outra forma de afinação utilizadas nas violas caipiras brasileiras* e violões de Blues** é a afinação aberta, ou seja, ao se tocar as cordas soltas, você tem um acorde maior (usar acordes menores também dá um efeito bem interessante, mas não é usual).

O uso dessas afinações possibilitam algumas coisas bem interessantes.

A primeira, e talvez mais interessante, é que você sai da zona de conforto. Por ter que re-aprender a fazer os acordes e escalas, saímos dos vícios e caminhos "manjados", e abrimos espaço para o ouvido e a musicalidade, descobrimos novos caminhos, e mesmos acordes comuns que estamos acostumados a tocar soam de forma impressionantemente nova. Não se espante se você compor pelo menos uma música para cada afinação.

Outro ponto interessante das afinações abertas é o uso de notas pedais, ou seja, você pode tocar melodias e frases nas notas mais agudas, e continuar tocando as cordas mais graves formando um "pedal harmônico", muito legal se você está tocando sozinho. Ou ainda, se você inverter o conceito, você pode trabalhar no grave imitando um contra-baixo, sem perder os acordes nas cordas mais agudas.

E por fim, embora não seja muito minha praia, você pode utilizar o slide sem preocupação de não tocar alguma corda. Não é por menos que os blueseiros da "velha guarda" utilizam muito afinações abertas. Vale a pena brincar um pouco para explorar essa musicalidade.

As afinações:

Embora não seja um "especialista", seguem as afinações que eu já utilizei

Em "D" - Por duplicar as quintas, dá um tom bem legal para blues ou rock. É a afinação alternativa que normalmente utilizo.


1 - Ré
2 - Lá
3 - Fá#
4 - Ré
5 - Lá
6 - Ré

Em B - Por tocar a terça do acorde 3 vezes, torna uma afinação bem sutil. Utilizei uma vez para uma música em estilo caipira, mas só tocando os acordes maiores (Tônica, Sub-Dominante e Dominante). Não explorei muito, mas vale tentar.

1 - Ré#
2 - Si
3 - Fá#
4 - Ré#
5 - Si
6 - Ré#

Em G - Por ter muitas músicas de louvor em G, vale a pena utilizar essa afinação. Do que já li sobre afinações abertas, a maioria dos blueseiros usam essa afinação.

1 - Ré
2 - Si
3 - Sol
4 - Ré
5 - Sol
6 - Ré

Exemplos:

Como falei no começo, esse post começou com alguns vídeos que gravei de brincadeira em casa. Colocando dois que fiz com afinação em D, como exemplo.

Te agradeço

O Senhor é a Luz




* As afinações de viola caipira tem nomes próprios para cada tipo, como "Rio Acima", "Rio Abaixo", entre outros. Não conheço o que é cada nome. Para quem souber, ou quiser pesquisar e compartilhar aqui, ficarei feliz em saber!

** Violões de Blues: Os tocadores de blues utilizavam ressonator guitars e dobros. Esses instrumentos possuem uma caixa de ressonância em metal que proporciona um maior volume no instrumento (lembrando que os instrumentos elétricos são recentes). A principal diferença entro o dobro e a ressonate guitar é que o dobro é todo de metal, enquanto a ressonate guitar possue apenas a caixa de ressonancia em metal. Uma forma comum de se tocar esses instrumentos é com eles deitados, utilizando um slide.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A “benção” da diversidade

Quando era adolescente, gostava muito de uma banda chamada D.C.Talk. No seu vídeo “The Freak Show”, antes da música “Colored People”, um dos vocalistas da banda fala uma frase muito interessante: “Assim como em um arranjo de flores silvestres, parte de nossa beleza está em nossa diversidade. Se somos diferentes uns dos outros, é porque Deus é um artista muito criativo!” (tradução livre).  Realmente creio que Deus tem um certo “gosto” pela variedade. Basta olhar para a natureza e vermos a infinidade de animais e plantas, dos mais variados tamanhos, formas e cores.

Quando a bíblia fala que fomos criados à Sua imagem e semelhança, creio que um dos pilares que nos faz semelhantes a Deus é a capacidade de criar, de juntar elementos dessa diversidade que nos cerca e produzir algo novo que seja belo, original, diferente.

No entanto, quando olho para a Igreja, vejo muito mais moldes pré-formatados do que a expontaniedade para a qual fomos criados. E não digo isso apenas para a questão artística (embora não seja meu foco  me aprofundar nas questões mais filosóficas).

Apenas para ilustrar, vivemos em um país com uma musicalidade incrível, com diversos rítmos e estilos. No entanto,   a grande maioria das nossas músicas são praticamente iguais, sempre na mesma batida, nos mesmos tons, nos mesmos estilos. Outro exemplo? Conheço diversos guitarristas, violonistas, baixistas, bateristas e tecladistas, mas em um país tão rítmico quanto o nosso, até hoje não conheci um percussionista cristão (percussionista de verdade, não baterista frustrado). Porque será que é tão raro encontrar uma viola de 10 cordas, ou um bandolim em uma igreja ?

Isso sem falar das outras formas de arte que não sejam a música. Porque será que quase não temos espaços para poetas, escritores, pintores, escultores etc? Porque nossos teatros raramente passam das mímicas? Porque existem tão poucas produções cristãs de vídeos?
Não quero dizer que tenho alguma coisa contra aos modelos e formas. Mas com toda  sinceridade, não creio que um Deus tão criativo, que nos deu tanta capacidade, tenha nos criado para que sua igreja se limitasse à apenas algumas formas restritas de arte.

Oro a Ele para que mais e mais pessoas se levantem para adorá-lo com criatividade e originalidade. Que a igreja produza não somente música, mas que tenha espaço para poesias,  teatros, cinema, pintura, gibis etc. E que através dessa variedade, o seu nome possa ser glorificado.

Bom, como sempre existem pessoas que se esforçam em produzir algo novo e original, gostaria de fechar este post com a sugestão de um curta metragem  cristão (muito bem feito, por sinal) que um amigo meu participou.

http://www.4ufilms.com/naomedeixetedeixar/

Parabéns pelo trabalho de vocês!

Atenciosamente,

Renan Alencar