domingo, 20 de maio de 2012

Teoria Musical - Parte 1 - Introdução

Recentemente minha esposa me pediu para ensiná-la teoria musical, e pensei em fazer isso de forma que pudesse ser relido e compartilhado, como uma apostila on-line. Portanto, escreverei uma série de posts sobre teoria musical, e espero que possa ajudar a quem quiser aprender alguma coisa também.

Introdução

"Como Deus, eterna é a Canção" (Mario Valladão).

A música faz parte da história da humanidade. Em todos os povos, de todas as culturas, existe alguma forma de manifestação musical, seja para o entretenimento, para rituais religiosos e sociais ou para a apreciação estética e artística. A verdade é que a origem da música se confunde com a própria origem da humanidade. Ela sempre esteve presente na nossa história e assim permanecerá, provavelmente, pela eternidade. Pensando nisso, Mario Valladão sabiamente compôs uma música que diz que "Como Deus, eterna é a canção".

A música provavelmente começou com a imitação da natureza. Ao ouvir a beleza dos cantos dos pássaros e de outros animais, compostas pelo supremo artista, foi natural ao homem imitá-los. Dentro da narrativa bíblica, a primeira citação da música é sobre Jubal, tataraneto de Adão, que foi o pai dos que tocavam kinnôr (arpa) e ûgâb (flauta). Com a evolução do tempo, os instrumentos e a música foram sendo aprimoradas, e começou-se a ter a necessidade de se registrar o que estava sendo tocado/cantado, de modo que a música pudesse ser lida e re-executada posteriormente.

Os primeiros ensaios para uma notação musical começaram na idade média. Para se registrar as melodias dos cantos gregorianos, foi desenvolvido um sistema de notação por  neumas, onde cada figura representava um conjunto de notas, uma pequena frase musical, mas sem muita precisão. Nesse momento da história, ainda não existiam as notas definidas (como conhecemos hoje). Intuitivamente, usava-se a sequencia de notas que hoje conhecemos por escala maior, e as variações dela começando por diferentes pontos da escala (o que hoje conhecemos por modos gregos), porém não existiam os conceito de tonalidade e harmonia.

Por volta do século X, o monge italiano Guido d'Arezzo nomeou as notas, baseado em um cântico à São João, onde cada frase se iniciava em uma nota da escala maior. Para dar o nome as notas, Guido utilizou as primeiras sílabas de cada frase, como mostrado abaixo:


Ut queant L'axes
Ressonare fibris
Mira gestorum
Famule tuerum
Solve polluti
Labii reatum
Sanctu Ioannes

Com o tempo, "Ut" foi substituído por "Do"para facilitar a pronúncia com uma sílaba terminada em vogal, formando assim as notas utilizadas até hoje na música ocidental: (Dó-Ré-Mi-Fá-Sol-Lá-Si). No sistema de notação de Guido, era utilizado um tetragrama onde as notas era escritas, o pentagrama (conjunto de 5 linhas utilizado até os nossos dias) surgiu em meados do século XII.

Com o passar dos séculos, a notação musical foi sofrendo diversas evoluções, conforme a necessidade e o contexto musical. Além da partitura (notação mais completa), existem outros meios de notação como tablatura (para instrumentos de corda, como o violão e o baixo) e a cifra, amplamente utilizada na música popular, que se preocupa em registrar apenas os acordes em que a música se baseia.

Por que estudar teoria musical?

Dentro de nossa cultura musical brasileira, onde se predomina a música popular, é comum encontrar pessoas que "tocam de ouvido", mas não conhecem teoria musical. Com isso, muita gente acha desnecessário estudar teoria, ou contenta-se em saber ler apenas cifras de músicas de acordes simples. Se você quer apenas arranhar um instrumento em casa como hobbie, tudo bem não conhecer teoria, mas se você pretende atuar em um grupo (seja uma banda de amigos, igreja ou profissionalmente) ou pretende tocar para outras pessoas ouvirem, recomendo fortemente que você se preocupe em estudar teoria.

Se você está lendo esse post, é provável que você já esteja buscando isso, mas caso você ainda ache desnecessário, deixe-me colocar apenas alguns motivos para que você se convença da necessidade de estudar música:
  • A música é uma linguagem universal. Independente do país em que você estiver, você conseguirá se comunicar com as outras pessoas com quem estiver tocando junto.
  • A medida que você conhece mais teoria, você consegue tocar músicas mais complexas, preparando-se para qualquer tipo de música que você precise tocar.
  • Você se torna menos dependente de materiais externos, como livros e internet. Por exemplo: entendendo a teoria de construção de acordes, você saberá montar um acorde novo que você não conheça, sem ter que buscar em algum material como fazê-lo.
  • Você consegue incluir outros músicos. É comum para quem está começando a estudar algum instrumento erudito, como flauta e violino, não conseguir tocar em bandas, onde toda a linguagem musical se dá por cifras e improviso. Caso a banda tenha um músico mais experiente que saiba escrever partitura, ele poderá escrever as linhas melódicas que esses instrumentos precisam tocar.
  • Entendendo as "regras", você entende como quebrá-las, e fazer a música do seu próprio modo. Por exemplo, você pode re-harmonizar uma música, dando-lhe um "ar" totalmente novo, conforme o seu gosto musical.
Enfim, existem muitos outros motivos, mas espero que esses sejam suficientes. Vale dizer também que teoria não é apenas para instrumentistas. Cantores precisam conhecer tanto de teoria musical quanto qualquer instrumentista. É um grande erro dos vocalistas pensarem que não precisam saber teoria para cantar. A falta de conhecimento teórico os torna mais limitados e dependentes



Nesse primeiro post, minha intenção foi fazer uma pequena introdução à série de posts que pretendo fazer sobre teoria musical. Para quem quiser aprender um pouco de teoria, espero que esse material lhe ajude nessa  jornada de aprendizado. Para os mais experientes, por favor, sintam-se à vontade para criticar qualquer ponto ou fazer comentários que complementem o conteúdo, afim de gerar um material de melhor qualidade.

No próximo post vou abordar alguns conceitos básicos de música. Se você não entendeu alguma palavra ou conceito nesse primeiro texto, no próximo post pretendo fazer um glossário para ajudá-lo no "musiquês".

atenciosamente,

Renan Alencar de Carvalho

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A cosmovisão cristã e as artes

Fonte: Ultimato

A cosmovisão cristã e as artes

Todas as coisas foram 
criadas por ele e para ele. 
Colossenses 1.16b NVI

"Quando se escreve sobre artes em um veículo de leitura protestante, sem citar artistas do meio protestante, corre-se o risco de ser criticado por vários irmãos de fé. Estes se esquecem que Deus é soberano. Não sobre uma ou duas coisas, mas sobre todas as coisas. Não é possível ser cristão nos eventos eclesiásticos e possuir outro modo de vida no dia-a-dia da família, trabalho, educação, entretenimento.

Deus reina sobre tudo e, consequentemente, sobre toda arte. Quando traço um comentário sobre arte não-cristã, minha visão deve partir da “lente bíblica”, a chamada “cosmovisão cristã”. Não devo desviar meu olhar, como cristão, de coisas que julgo não “serem de Deus”. Tudo é passível de julgamento a partir da cosmovisão cristã, seja para críticas sobre aquilo que entendemos ser errado, seja para elogios necessários às obras e artistas.

A partir dessa leitura cristã posso admirar, por exemplo, canções cujas letras não trazem termos “evangélicos”, mas que possuem em seu cerne valores do Reino de Deus.
A crítica sobre poluição no mar de A Mancha, canção de Lenine e Lula Queiroga (gravada no CD Labiata, 2008) tem em si valores do Reino, sem necessariamente falar a palavra “Deus” e sem seus autores se declararem “músicos evangélicos”:

A mancha vem comendo pela beira
O óleo já tomou a cabeceira do rio
E avança
A mancha que vazou do casco do navio
Colando as asas da ave praieira
A mancha vem vindo
Vem mais rápido que lancha
Afogando peixe, encalhando prancha
A mancha que mancha,
Que mancha de óleo e vergonha
Que mancha a jangada, que mancha a areia
Negra praia brasileira
Onde a morena gestante
Filha do pescador
Derrama lágrimas negras
Vigiando o horizonte
Esperando o seu amor


Falta engajamento e liberdade dos artistas cristãos em relação a essa visão de mundo ecológica e que escrevam, pintem, cantem, dancem, atuem e explorem, enfim, a temática declarando: Deus é soberano sobre a natureza e devemos cuidar dela! Não só ecologia, mas falta adentrar com a arte cristã na política, economia, problemas sociais, história, saúde, entre tantos e tantos assuntos. Com algumas exceções, por vezes as letras das canções feitas por cristãos são extremamente alienantes e distantes da realidade contextual brasileira, o que não é, segundo uma cosmovisão cristã, algo correto.

Sejamos cristãos em qualquer situação, tempo e espaço, como Cristo nos ensinou. Coerência é fundamental em nossos passos. Caminhemos."


Texto deSérgio Pereira .

Sérgio Pereira é músico, historiador, educador, escritor e revisor pedagógico de História. Seu trabalho musical principal é o Baixo e Voz, que já conta com 21 anos, quatro CDs e um DVD e CD ao vivo a serem lançados este ano. É mestrando em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sua dissertação versa sobre o compositor Lenine e o hibridismo musical brasileiro.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Nossa Música Brasileira



Quem tem ouvidos para ouvir, ouça
Será uma festa da alforria, com participação de nomes representantes do movimento de resgate da cultura musical brasileira.
Data:
  • 31 de Agosto a 02 de Setembro
Músicos:
  • Carlinhos Veiga e banda
  • Carol Gualberto e banda
  • Stenio Marcius
  • Edilson Botelho
  • João Alexandre
  • Priscila Barreto
  • Felipe Silveira
  • Jorge Camargo
  • Thiago Viana
  • Banda de boca
  • E muito mais...
Planos de Pagamento:
  • Plano A – R$ 210,00: sinal de R$ 80,00 (inscrição) até 10/05 + restante no evento
  • Plano B – R$ 220,00: sinal de R$ 80,00 (inscrição) até 10/07 + restante no evento
  • Plano C – R$ 230,00: Após 10/07 (se ainda houver vagas)
10% para grupos acima de 10 pessoas
Evento:
  • Início: Sexta-feira, 31/08 com jantar das 19h às 20h30;
  • Término: Domingo, 02/09 após o almoço.

domingo, 29 de abril de 2012

Por que estamos onde estamos?

É notável a mediocridade em que se encontra a música de hoje. O que prevalece nos meios de comunicação, o que está na "boca do povo", é a estética do mau-gosto, da falta de reflexão, da alienação, e por que não dizer, da depravação.
Não quero parecer  arrogante ou saudosista de tempos passados, mas estou apenas olhando com uma visão histórica. A música, assim como a arte em geral, veio em uma clara evolução a partir da renascença (séc. XVI), até o fim do séc XIX e início do séc XX, com o fim do romantismo e início do movimento modernista. Depois disso essa evolução musical parece ter freado e se confinado a movimentos pontuais.
Claro que coisas boas foram produzidas no século XX, temos o jazz, o fusion, algumas vertentes do rock como o progressivo e o neo-clássico, no Brasil a bossa-nova e a MPB, entre outros movimentos, ainda experimentaram novos caminhos na música, no entanto, cada vez mais a música tem sem empobrecido e confinada aos moldes pré-formatados, ao mais do mesmo, à falta de criatividade, e à apelação sexual e afirmação social para ter sucesso (vou evitar os exemplos, mas é só ligar o rádio e refletir um pouco sobre as músicas tocadas para entender do que estou falando).
Bom, não sou historiador, nem fiz um estudo acadêmico sobre esse tema (fora as aulas de história da música no conservatório), mas uma pergunta sempre me incomoda quando olho o cenário da música moderna: "Por que?" O que aconteceu na história que fez séculos de desenvolvimento musical regredirem?
Não quero ser simplista, existem vários fatores envolvidos nessa análise, como por exemplo as duas grandes guerras, crises financeiras globais, mudanças profundas na sociedade, entre outros, mas no que se refere à música, algo aconteceu e que julgo ter uma grande relevância, sendo um divisor de águas: a gravação. Isso mesmo, a tecnologia capaz de armazenar sons em um material físico e depois reproduzi-los. Essa tecnologia que começou de forma rudimentar com as primeiras caixas de música, que ganhou força industrial com os discos de vinil e hoje faz parte integral de nossa rotina com a digitalização e distribuição on-line.
A princípio parece estranho ligar essa inovação tecnológica à decadência da música, afinal, ela facilita o acesso à música de qualidade, mas refletindo um pouco mais, me parece que não. Deixe-me explicar em 3 pontos do porque faço essa associação:

1. A música sempre fez parte do convívio social do homem, sendo peça fundamental de eventos sociais. Antes da invenção do fonograma, para se ter música em um evento, era preciso contratar músicos, ou contar com amigos e familiares dotados de estudo para tocar e cantar. Isso significa que existia um mercado  "garantido" para as pessoas que quisessem seguir uma carreira musical. Com o advento da gravação, esse mercado de trabalho sofreu um sério dano, ao ponto que hoje musicista quase não é tratada como uma profissão séria. Apesar de não ser o fator principal, creio que essa desvalorização do profissional da música (que possui conhecimento e preparo para tocar músicas mais complexas) teve um efeito negativo sobre a continuidade do desenvolvimento da música.
É verdade que a gravação abriu novos ramos de trabalho, como o músico de estúdio, mas esses ramos permaneceram extremamente fechados a poucos círculos de artistas, só sendo abertos recentemente com o barateamento dos equipamentos de gravação e com o advento da internet (falarei mais para frente).

2. No convívio doméstico, as pessoas normalmente estudavam música para tocar em casa para recreação da família no lar (normalmente as mulheres eram incentivadas a estudar piano). Além do amor e relacionamento com a música, quando se estuda música, é natural que se apure a percepção e o bom gosto pela boa música. Começamos a perceber nuances que passam despercebidos do ouvinte despreparado. Com a terceirização da música doméstica para as gravações, começou-se a formar um público menos exigente e seletivo, além da distanciação da relação e amor entre as pessoas e a música.

3. Os dois primeiros pontos apresentados acima são um tanto quanto secundários e subjetivos, no entanto, o efeito mais destrutivo que vejo que foi criado com o fonograma foi a possibilidade de empacotar e vender a música de forma industrial. A até então, a música era uma forma de arte, era um momento de reflexão, de comunhão (quem já cantou em coral ou tocou em grupos grandes sabe do que estou falando), de apreciação... o ato de "fazer música", seja compondo, tocando ou cantando, era tangido por valores subjetivos, de apreciação artística e intelectual. Com a gravação, a música deixou de ser arte e virou um produto, algo disponível nas prateleiras para uma sociedade consumidora norteada pelo impulso capitalista de consumismo. O grande problema disso é que, como todo produto, a preocupação de quem estava produzindo e financiando a música foi deixando de ser a qualidade musical e passou a ser o lucro proporcionado por ela. Com isso descobriu-se o poder comercial da música medíocre, da massificação de pensamento, da criação de moldes e formatos que devem ou não ser aceitos por cada ramo da sociedade e qualquer movimento que pense diferente passou a ser combatido e marginalizado pelo interesse das grandes gravadoras. Quer uma prova disso? Por que será que a música aceita pelos adolescentes de classe A e B normalmente são o Pop e o Rock norte-americanos, e os ritmos regionais são tidos como bregas?! Quem construiu esse pensamento na cabeça deles?! Outra prova é que a maioria das bandas novas que se formam tem na cabeça o desejo de gravar um CD e virar "a melhor banda de todos os tempos da última semana" (como já cantavam os Titãs), ou seja, entrar nessa máquina comercial. Raramente encontramos grupos que querem fazer música pela música, compromissados com a qualidade do que está sendo feito e não com a vendabilidade do que estão tocando.

Cenários futuros:

Mas nem tudo está perdido! Do mesmo jeito que essa mediocrização da música teve um start por mudanças tecnológicas, a tecnologia está proporcionando o caminho reverso. Com o barateamento das tecnologias de gravação, e a proliferação dos home-studios e os estúdios de gravação menores, a produção musical deixou de estar centralizada nas grandes gravadoras, possibilitando o aparecimento de muitos artistas que estão na contra-mão dessa mediocrização. Além disso a internet e portais como o Youtube e o MySpace, possibilitaram meios para divulgar essa música produzida de forma independente. Claro que muito lixo continua sendo feito, mas na minha percepção, as pessoas que estão buscando os artistas que trilham este caminho paralelo de produção musical tem se tornado cada vez mais seletivas, buscado coisas novas de qualidade. Isso tem sido um terreno extremamente fértil, muita coisa boa tem sido produzida.
A música de massa continuará existindo, mas hoje, com a produção independente, é possível ter acesso e escolher "consumir" músicas de melhor qualidade.

Para finalizar, gostaria de deixar 3 conselhos:
- Estude música.
- Fuja do que é vendido pelas grandes gravadoras e grandes meios de comunicação.
- Não tenha medo de inovar e buscar o que você gosta, independente de ser o socialmente aceito ou não.

abraços,

Renan Alencar de Carvalho


* Foto retirada do site http://mundo47.wordpress.com/2007/10/19/governo-quer-salvar-unica-fabrica-de-vinil-do-pais/

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Música Cristã Profana

O Guilherme e suas idéias baseadas em Francis Schaeffer tem me influenciado bastante no que se refere a arte e igreja. Tomei a liberdade de utilizar um dos textos de seu blog que gostei bastante.

Recomendo a leitura!


Fonte: Blog Guilherme de Carvalho


“Deixa ir os meus Músicos!”

Uma das maiores necessidades da igreja brasileira hoje é a de música cristã profana. Precisamos de música cristã que não fale de Deus. Não que falar de Deus não seja importante; mas às vezes tenho a impressão de que falamos demais de Deus, quase a ponto de tomar seu nome em vão. Falamos tanto porque estamos preocupados com a sua ausência; será que falamos para ocultar a sua ausência?

Falar de Deus é essencial: “como crerão, se não ouvirem?”. Tão importante quanto falar sobre Deus, no entanto, é falar a partir de Deus; e quando falamos a partir de Deus, não precisamos, necessariamente, usar o nome de Deus – o livro de Ester conta uma belíssima história sem usar o nome de Deus nem uma única vez, e essa história se tornou parte do cânon judaico-cristão, como narrativa divinamente inspirada.

A questão, pois, é se temos a graça de contar a história do modo correto, de narrar a vida sob a luz do evangelho. Precisamos de música que não fale de Deus, mas que fale a respeito da vida, das flores, do amor, da política, e das crianças, sob a luz do evangelho; precisamos de música que fale sobre o mundo, mas a partir de Deus.

Além disso, precisamos de música, simplesmente. Música que signifique Deus por sua beleza, e que mostre a sua glória sem palavras. A música pode ser narrativa, mas não precisa ser – a música não precisa de justificativas além da sua própria existência porque, afinal, Deus não precisa dar explicações sobre a razão de sua criação. Quem pode pôr em dúvida a beleza da música? Quem pode pôr em dúvida o amor do homem pela beleza da música? E quem pode pôr em dúvida a origem divina de toda boa dádiva, e de todo dom perfeito?

Quem és tu, ó pastor evangélico, para discutires com Deus? Pode a coisa feita desafiar seu Criador, perguntando-lhe: “Por que me fizeste assim?” Ou terás a ousadia de reprovar o inventor da beleza, por ter criado homens que amam a música pela música, mesmo quando não tem uma razão bíblica para desfrutá-la? Acusarás a Deus de ser o tentador do homem? Atribuirás a Satanás a arte de Mozart, de Wagner ou de Villa-Lobos? Consumados estes absurdos, que mais restará senão reprovar também a beleza das flores e o canto do sabiá? Por causa de Israel o nome de Deus foi blasfemado entre os gentios; mas por causa de ti a música cristã afunda nas trevas da feiúra estética.

Não me esqueço do dia em que um diácono da minha igreja – um homem grande, sério, que detestava livros mais do que qualquer coisa na vida – me chamou para uma conversa séria, “de homem pra homem”. Este diácono – não sei se no corpo ou fora do corpo, Deus o sabe – me aconselhou a desistir de ser músico profissional. “Porque” – dizia ele – “este meio artístico é muito sujo... Tem muita p., e um crente verdadeiro não se mete com p. Quando tem muita p. num lugar a gente tem que sair”. E, de fato, eu saí rapidamente de perto dele. Acho que em poucas ocasiões eu ouvi tantas vezes a palavra "p...".

Os músicos cristãos precisam de libertação – não da música “do mundo”, mas da música “da igreja”. Precisam ser libertados do jugo dos pastores e dos crentes legalistas, que exigem qualidade nas noites de domingo, mas que proíbem estes músicos de se profissionalizarem, e fecham o mundo da música a uma ação cristã redentiva.

Verdade Demais


Não entendo a maldade das pessoas... não viveríamos melhor se todos fossem mais éticos, verdadeiros e justos?! Não seria melhor se o dinheiro fosse o meio para vivermos, e não o fim de nossos objetivos? Não seria melhor se quem tem sobrando ajudasse quem está faltando? Não seria melhor se todos se importassem com a dor e a injustiça sofrida pelo próximo?

Ao mesmo tempo, o que estou fazendo? O que posso fazer? Como ser relevante em um mundo que a regra é o oposto?

Hoje estou com a música "Verdade Demais" do Tiago Vianna na cabeça....

Ah! Seu eu pudesse deixar a razão
Ah! Se eu desse o que tenho de valor
Pra salgar o mundo
E ver esse mar quebrar esse doce anseio


De salvar esse céu sem ter chão
Ah! E rasgar sem piedade o desamor
Pra mostrar profundo
Desejo de andar sem medo


Fazem-me rebelde por fazer de meu sonho
Verdade demais
Ah... é tão sério o desgosto dos outros
Saudade demais do...
Desejo de andar sem medo"



segunda-feira, 2 de abril de 2012

Entre Amigos - Tiago Vianna

No dia 17/03, tive o privilégio de assistir o Tiago Vianna perto de casa, no evento "Entre Amigos".

Já faz algum tempo que o CD "Um Minuto de Silêncio" do Tiago Vianna está nas "paradas de sucesso" do som de casa. Dono de muita musicalidade e  bom gosto, com grandes parceiros de composição e poesia, como o mestre Gladir Cabral, esse último trabalho do Tiago é uma grande obra para se ter e ouvir.

Minha esposa, como fã do Tiago, gravou algumas músicas do "Entre Amigos" em vídeo. Para quem não pode participar, ou para quem deseja conhecer mais do trabalho dele, confiram os vídeos abaixo.






Abraços,

Renan Alencar de Carvalho